Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Pra alguém’ Category

porfavorporfavor

olha, eu to cansada, viu. sabe, cansada? cansada de correr, cansada de procurar apartamento, cansada de fazer o que tem que fazer e dar errado, cansada de tentar e acabar pior, cansada de esperar que dê certo, cansada de não dormir pensando no que eu tenho pra resolver no dia seguinte, cansada de olhar tudo o que eu fiz de grave, cansada, cansada, cansada. exausta. assim, deus, manda aí um milagre pra eu ganhar um gás, manda? uma coisinha mágica e a minha cara de cu renovada. garanto.

Read Full Post »

mãe

assim:

uma mulher cheia de braços e pernas e fôlego e solução pra tudo.
uma mulher doce.
uma mulher que cabe dentro dos meus olhos.
uma mulher que não cabe nesse mundo.
uma mulher linda.
uma mulher enorme.
uma mulher que podia ser todas.

mas que é única.

uma mulher que me viu cair
me estabacar
e tentou sorrir
brincando com os meus tremeliques
brincando com a gordurinha nas costas
me apertando
perdendo forças
pra eu ganhar.

.

.

.

(feliz aniversário)
teamo.

Read Full Post »

dia da vó:

vó na janelate amo, vó.

saudade imensurável.

não tem medida a falta que me faz.

Read Full Post »

Eu tinha 16 anos quando a conheci. Recentemente mudada para o interior de São Paulo, ainda não tinha me adaptado à vida nova com passarinhos cantando na janela, uma estrada de terra que mal passavam os carros quando chovia e pessoas desconfiadas que não falavam com alunos novos vindos de outra cidade. Engraçado como as pessoas do interior são desconfiadas. Não sei se por timidez ou qualquer outra coisa, só sei que o grupo de adolescentes que entravam para o terceiro colegial não abriam sequer um milímetro de espaço para quem chegava. Provavelmente nascidos debaixo daquele teto, do mesmo colégio, e acostumados com os mesmos rostos, os meninos e meninas sequer me olhavam. Sabe a sensação de invisibilidade? Mais ou menos isso.

Devia ser aula da Mi, da Henriqueta ou do Pitágoras, o dia em que falei com ela pela primeira vez. Não sei bem a ordem das coisas. Ela era diferente deles. Me lembro das longas tardes encostadas no muro da biblioteca infantil. Sei que esse lugar era novo e tinha um outro nome que não apenas biblioteca. E sei que era longe das salas, longe das pessoas e longe da segurança em que vivem jovens classe média. E não falo aqui da segurança física ou dos seguranças que circulavam disfarçados pelos corredores. Falo da segurança típica desses adolescentes que têm a certeza que seus umbigos coordenam o mundo. Não que eu os odiasse. Pelo contrário, só me cresciam as inquietações e questionamentos nessa época. O que, claro, era alimentado por esse comportamento que eu, de alguma forma, observava. Falando assim parece até complexo de superioridade. Garanto que passava longe disso.

Ficavamos as longas tardes ali sentadas imaginando a vida que gostaríamos de ter no futuro. Engraçado que não me lembro de nenhuma outra amiga com quem eu falasse tanto desses sonhos de futuro. Ou escutava. Ela era ainda mais sonhadora que eu. Apesar do rosto sério, puxando pro alemão. Ela falava de Marte, da Lua, de viajar por aí, pelos planetas, de estudar as formigas, de literatura, de contos, de um mundo que parecia pura fantasia, mas com a diferença da consciência que ela tinha das possibilidades. De como se fazer possível. Conversavamos horas. Almoçavamos na cantina. Assistíamos o futebol no clube que dava direto para os fundos daquela parede. Eu falava dos meus amores. Ela falava do dela. Só tinha um. Depois outro. Um professor. Lembro tão bem dos dois. E do que ela esperava deles. Lembro ainda mais do nosso insucesso. De mais questionamentos ainda nessa fase. Não sei bem o que mudou de lá pra cá. Quanto às respostas.

Hoje ela namora. E estuda, de fato, as formigas. Hoje ela mora longe. Já não durmo mais na sua casa com os lençóis impecavelmente esticados pela mãe, ainda mais alemã. Hoje nos falamos nos aniversários. Ainda falta o dinheiro pra longas viagens. Não conheci os tais caras da atlética da faculdade já encerrada. Ela, inclusive, já começou outra. A que ela prometera começar. Disso eu lembro. Ainda não construímos o nosso colégio. Juro que tínhamos muitos projetos para a nossa sociedade. Esportes e artes. E um colégio bem diferente daquele. O das madres.

Hoje ela faz aniversário. Não nos vemos desde 2007, talvez. Não sei exatamente. Não sentamos mais encostadas naquele muro. Eu sequer lembro o bendito nome daquele lugar. E sinto uma falta gigantesca. Dela. De nós. Dos armários coloridos. Da Mi. Do André. Das aulas à tarde com o Nicola. Do dia que ele chorou enquanto assistíamos Vidas Secas, sem falas e em preto e branco. Foi nesse dia que eu me apaixonei por literatura. Me perguntando porque ele chorou.

Hoje liguei pra ela. E desejei felicidade. E é de verdade. Tudo o que eu desejo: felicidade. Daquela, mesmo que não tenhamos definido. De hoje, sempre em dúvida. E, claro, pro nosso tão sonhado futuro, absoluto. Parabéns, Ná.

Read Full Post »

um elefante fedido e enorme que levanta a pata e faz a sombra bem na nossa cabeça. é o pisão que estraçalha todos os miolos e embaralha os sentidos que podem não voltar nunca mais. é assim que parece. tudo acontecendo sem praticamente acontecer. e a confusão deixando as palavras perdidas também embaralhando os sentidos. assim é que é. e a sombra às vezes não diminui pois não há aproximação. e o peso. e o estraçalhar os miolos. é apenas a sensação que se multiplica trocentas vezes dentro da cabeça. imaginando. aumentando. porque de fato não merece. e quando não merece não pode ser. porque tem uma ordem que eu simplesmente ordeno e seguro com toda força pra ser real e inatingível. porque não é comigo e parece doer mais ainda. é a prepotência de quem aguenta mais. de quem pensa que aguenta mais. de quem tem certeza que pode proteger e controlar a dor delas. e dele. e deles. tá aí, o meu corpo todo, de escudo, protegendo, abraçando, amando.

Read Full Post »

Vó.

Foram trezentos e sessenta e cinco dias que passaram sem ela por perto. Um pouco mais, um pouco menos, nunca acredito direito nessas contagens e nesse tempo que parece muito mais rápido do que antes, que parece não ter mesmo uma precisão. Muitos dias e horas e segundos sem a mão macia, o beijo jogado no ar, a voz, o carinho todo gigante imenso, o coração quente, a atenção, o conhecimento, a emoção, o estar sempre ali na poltrona ao alcance de um abraço, ao alcance de uma conversa, ao alcance de uma fofoquinha. Toda essa proximidade agora distante. Agora e em todos esses trezentos e sessenta e cinco dias. Não sei mais descrever o que é falta. Não sei mais falar dela. Não sei mais o que significa nada direito depois disso. É um vazio que ocupa toda e qualquer força que possa existir ainda dentro. Porque ela era a mulher mais importante da minha vida no mesmo degrau que a minha mãe. Era a minha mãe, a minha irmã, o meu pai, o meu irmão, a minha tia, o meu ídolo, eu mesma, o meu amor. Era tudo e não tinha nada pra tirar nem acrescentar. Passou um ano todinho. Inteiro. E eu às vezes não consigo acreditar que sobrevivi. Inteira. Pela metade.

Read Full Post »

Ei, você:

TÔ ESPERANDO A MENSAGEM NO CELULAR ANTES DE DORMIR, SABIA?

(direto e reto. de repente dá certo. de repente. cai aqui no meu blog. vaaai…)

Read Full Post »

Older Posts »