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Archive for the ‘por aqui’ Category

da liberdade

quinta-feira fiquei presa no elevador e não pensei em você nos quarenta minutos até o bombeiro chegar. não foi como eu achei que seria, caso tudo acabasse num segundo de queda. acho que não faço mais ideia do gosto que temos durante o beijo. a sua boca não é mais a sua boca, é outra, é a de uma foto, uma foto que não existe, é só uma foto. então eu entrei em aviões de ida e volta. entre as turbulências eu também não pensei em você. eu esqueci como é pensar em você. esqueci como é querer ser você e ter você e respirar você e sonhar com olhos brilhantes o seu você olhando pra mim. no rio de janeiro acordamos e andamos de carro e dançamos felizes com o sol brindando cada segundo de possibilidade. em são paulo tudo é cinza mas eu me apaixono inconsequentemente pela rua augusta e pessoas que passam embaixo da minha janela. eu não me apaixono mais por você. todos os sons tocam na caixinha e me explodem por dentro. eu entro em mim e saio sem você carregando a minha carcaça entre os dentes. isso não é ótimo?

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e ainda chove

minha janela é baixa e eu já não tenho ideias absurdas de sair voando por aí. menos de um minuto e tudo acabado. não mais. eu tenho vontade de continuar, de gritar no ouvido dele que ele faz borbulhar o vermelho do meu coração enquanto canta, de subir a augusta e olhar de pescoço erguido a multidão que cruza a avenida paulista, vontade de entrar em aviões, contar segredos na mesa do bar, apreciar copos e mais copos de cerveja como se não houvessem o não, a dor, a falta, a cara de cu da vida quando decidimos não mais desistir. eu tinha correntes que eu cortei fora quando li um texto que ela escreveu no blog. eu tinha sonhos que eu enterrei a sete palmos da terra quando ele gritou histericamente no meio da noite em dia de aniversário. quando eu deito na cama e decido não mais sair do escuro em que me meti, ela me liga e sorri palavras de retomada. sinto falta do que fomos naquelas segundas-feiras.

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por favor, paz

eu quis tanto paz e ela não fica um segundo por perto. é só o que eu tenho pedido, com tanta vontade e tanta consciência e o maior do cansaços: paz. por favor, eu preciso tanto de paz. ela deve existir em algum lugar. vou levantar e tomar um banho pra dormir. são quase três horas da manhã e a máquina que nunca desliga fica fazendo barulhos dentro da minha cabeça. tinha pedido pra esquecer e repeti cem vezes olhando pra parede da sala. contei, foram exatas cem vezes. me esquece também, por favor. vamos viver em paz. é só mais um ano, depois de tantos e atrás de outros. vamos ficar quietos e deixar acontecer. uma vez na vida, eu só quero caminhar, com braços largados, mãos sem punhos fechados, olhar calmo, a bunda mexendo confortável na parte de trás. o amor passa longe e eu sequer penso nisso. to falando de vida real. a minha vida e o que eu quero dela.

coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL

(Paulo Leminski)

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pode acabar

tenho pensado em listas:
melhores, piores
livros, filmes, músicas,
sentimentos,
o ano estranho que eu não sei definir.
tantos planos
nos olhos
mirando segunda-feira,
dois mil e doze.
e um otimismo
que me avermelha as bochechas.

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continuo olhando a ansiedade no espelho então me antecipo para comemorar um ano do presente que me encheu de brilho os olhos no ano passado. não sei que dia foi. sei que foi antes, uma semana, talvez, dia dez, talvez, trezentos e sessenta e cinco dias completos: comemoremos.

ela que me deu duas das coisas essenciais na vida:
uma bunda
a liberdade.

(agora tinha que vir a foto, uma bicicleta linda, toda preta, minha!, do nosso tamanho) 

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eu só queria uma notícia boa
dessas que reanimam
aceleram o coração
bombeiam o sangue
avermelham e deixam o rosto vibrante
enchem de brilho a bolinha do olho

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14h12

a solidão: o prato mais suculento da bandeja sendo servido para pessoa ao lado. acho que era miami, e eu olhando sua foto no anexo do email. congratulations, você é literatura! temos olhos que não cheiram bem. shuffle: as músicas certas escolhidas a dedo sem você precisar usar o cérebro e as lembranças e aquela cena linda de cabelos desgrenhados, o braço direito se levantando e o dedo coçando atrás da cabeça – o quase sorriso, sobrancelhas, língua -, tenho mania de beleza com quem não tem as manhas de reparar a verdade que o espelho mostra. ainda bem. quando eu parar de crescer, quero ser como você, mãos grandes e mentiras seguras a cada segundo. quando o silêncio deixa. sabe o ano passado, sabe aquele dinheiro que gastaríamos em quartos de hotel, sabe os quadros pendurados sobre as camas? tem campeonato de novo. você ganha e gasta com ela. congratulations, você e ela são literatura! tinha um outro que me comparava a alguém que exclamava sem usar pontos de exclamação. mudamos. e eu sonhei com você, o tal outro, sonhei que corríamos pelados no meio de um temporal. mentira. isso é cena de cinema. eu não lembro o que sonhei. tinha você e tinha eu. o resto é aquilo que perdemos quando acordamos, uma vida paralela muito mais possível, sem autocontrole, sem a vergonha por nunca ser. a solidão: a cereja que enfeita o topo do pedaço de bolo e sobra no prato no final.

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