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Archive for the ‘Insanidades’ Category

te proponho:

vamos tirar férias?
eu do meu corpo e você da sua cabeça?
fica combinado.

eu,
uma cabeça perambulando por aí de mãos dadas com a sua.
e você,
você pode ficar com o meu corpo.

meu corpo não fala
meu corpo não te escreve
meu corpo cabe certinho embaixo de você.

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e se eu não fizer mais nada? quantas vezes já tentei não fazer nada. ficar parada, sem me mexer. ou então, mexendo muito, a cabeça lotada de ideias, sem espaço pra pensamentos. então não acontece nada. eu tenho acordado e pensado: ufa, não fiz nada. é um alívio covarde. mas ainda assim, um alívio. a coragem que eu achei que tivesse foi atropelada pela cara que eles fazem quando me encontram. sou tão pequena e tão dependente. ainda assim sento a bunda todo dia no mesmo lugar e acredito em céus do tamanho de universos. no plural. acreditar não é bem a palavra. deixei de acreditar em mim há tanto tempo. acredito em espaço, tempo e sorte. ou falta de. tanta falta que me assusto pela manhã quando olho pro nada perto da porta. desde pequena encaro o nada com um medo que parece um tambor tocando sem parar, alto só de madrugada, dentro do coração, pulmão, estômago. qualquer parte que eu nunca sei qual é. queria não falar algo bem bonito que chegasse perto do ouvido dele. como um toque. só mais uma vez. e aí dormir. um sono bem pesado que aceitasse e não tivesse mais pânico de lembrar. vou tatuar assim: longe pra cacete

e

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eu podia não saber nada sobre ele. mas eu sinto que sei. e me perco em tanto desejo e coragem logo seguida de um medo pavoroso. não, não é medo, é algo como: não preciso dizer nada, eu sei que você sabe. e não é nada, um segundo depois. e é tudo todos os dias. fico pensando em dormir, porque eu sempre sonho com ele.

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uma pessoa ansiosa sozinha em casa toma cerveja e ouve música e conversa no facebook e não consegue ficar parada nem com o pé quebrado. de pulo em pulo eu chego na minha cama. e quase durmo. agora é de manhã, é primavera, é sexta-feira, é é e é. e ponto. passou. a montanha russa chegou ao chão. e eu passei o trajeto todo com as mãos pro alto. porque eu não aprendo: arregalo os olhos e não seguro em nada durante a queda.

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sabe quando o coração fica palpitando assim de um jeito que você não sabe parar e não quer parar?
e dá vontade de gritar e dá vontade de sorrir e você canta bem alto
(apesar do pé quebrado)
um dia ainda vou entender que não é ‘apesar de’, é ‘devido ao’
coisas dessa coisa que chamamos: vida
 

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sem título

tem um furo no meio da porta e eu vejo vocês dois sorrindo. ela é linda e tem o cabelo que eu sempre quis ter. ele é lindo e tem a sensatez que eu sempre quis ter. todos os dias os dois passam embaixo da minha janela e é sempre na hora que começo a dormir ou acordar. nas duas horas, precisamente. vejo os dois lá de cima, mas é como se eu estivesse lá embaixo, bem abaixo deles. um buraco daqueles que nem escalando com todas as mãos chegaria ao piso de chão. com os pés. e a cabeça sobre o pescoço. eu tinha ganhado um vaso de flores e tinham as outras já compradas e todas ficavam juntas na sala, mas não teve sol suficiente. e então não sobrou nada. nem a terra. ou melhor, ficaram uns cabinhos que ela achou melhor cortar e deixar lá tomando ar. eu fiquei tomando ar e passaram todos os dias da minha vida. os cabinhos enterrados. e a terra querendo cuidar. mas o sol não volta e aí a terra não dá conta. eu cortei o cabelo e nunquinha vou ter o cabelo como o dela. eu me joguei da janela e nunquinha vou ter a sensatez como a dele.

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e a rua.

ciclo vicioso: você sai dele e se joga com peso e cabeça
num mar de água transparente.
numa banheira de chocolate.
na bonita palavra: fe-li-ci-da-de.

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