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Archive for the ‘Cinema’ Category

filme de hoje:

histórias de amor duram apenas 90 minutos.

(gostei muito. além do título sensacional. tinha muito pra falar, mas é tarde)

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Diálogo 57.

Ele, já velhinho, na penúltima cena:

– Eu costumava ter medo de ficar sozinho com você. Agora não posso ficar longe de você.

Eles se beijam e se abraçam, deitados num morro, no meio da estrada, de noite.

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Do filme que eu vi hoje – Iris.

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A Marília.

Assistindo o documentário do Eduardo Coutinho, Jogo de Cena, na GNT, pela segunda vez, me lembrei de um dia triste. No filme, a Marília Pêra interpreta uma das ‘entrevistadas’ e depois fala da questão do choro em uma cena, com uma câmera apontando e tal. Ela disse que os atores modernos abusam das lágrimas, e que a televisão, principalmente, pede muitas lágrimas em uma cena de choro. Mas ela prefere o choro contido. ‘quando o sentimento é real, de dor mesmo, a pessoa não quer mostrá-lo e fica o tempo todo segurando, secando com os dedos nos cantos dos olhos’, ela disse, mais ou menos com essas palavras. E é também como ela prefere atuar, com poucas lágrimas. Aí eu me lembrei de um dia triste. Eu tentei esconder e abafar e segurar com todas as forças aquelas lágrimas. Eu queria muito chorar naquele dia, dentro do carro. E chorei.

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“Um gesto não ensaiado, um reflexo solto. São instantes espontâneos e fugazes que, registrados, tornam-se preciosos e vitais. São instantes de liberdade. A valorização do presente. E o cinema é a arte do presente.”

(Selton Mello citando alguém foda no programa Bastidores, do Multishow)

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andei por aquela avenida como não fazia desde algum dia de novembro do ano retrasado. acho que foi esse o tempo. um ano e sete ou oito meses. foi a primeira e única vez que andei por ali na vida. antes de voltar, sem querer, ontem. exatamente ali. na mesma calçada, da mesma quadra, da mesma avenida. estranhos esses acasos da vida. da semana que vem, não essa, a outra, pra frente, por dois anos, andarei por ali. um passo após o outro, olhando pro prédio do lado direito. olhando as sacadas do vizinho. olhando as garagens, dos dois lados, esperando sei lá o que. pensei nisso quando passei ontem. encarei os números na fachada e me perguntei o porque de ainda estarem tão frescos na memória. é o ano que a minha irmã nasceu mais o número de vezes que o Brasil foi campeão do mundo. na frente. foi assim que decorei na primeira vez. deve ser por isso que eles não vão embora da cabeça. e o apartamento? essa é mais fácil ainda: a bruxa do chaves. tão óbvio. associações são uma brincadeira divertida às vezes. obsessão é uma forma negativa dessas associações? pode ser. não faz sentido algum falar nisso agora. nem passar ali na frente fez algum sentido. porque já não há mais sentimento algum. ficou o vazio do que era antes de pensar tanta besteira e esperar tanta surpresa. não existe mais. então passei, olhei de leve e vi o passado distaaaaante como nunca. confesso que a sensação foi estranha e pensei, por mais segundos do que ultimamente, na gente. confesso! mas não tinha como não ser assim. o acaso atropela a gente e de repente o novo sonho está logo ali, a poucas quadras do sonho escrito em páginas de um pseudo-livro. não estou confessando nada. os sentimentos já não existem mais. nem na base de inspiração para algo maior. zero. és morto. e no entanto o acaso resolveu dar uma cutucadinha. e é só isso dessa vez.

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Ontem fui assistir, mais uma vez, o novo filme do Heitor Dhalia, À deriva. Já disse que gostei muito, e isso fica meio óbvio, já que fui ver mais uma vez. Dessa vez, com direito a coletiva de imprensa logo após a exibição. Estavam lá o diretor, o ator Vincent Cassel (foto), a atriz Débora Bloch, a protagonista Laura Neiva (foto) e parte da equipe – diretor de fotografia, produtora, roteirista, entre outros.

O filme se passa numa praia de Búzios, que poderia ser qualquer outra, nos anos 80, que poderia ser 70 ou comecinho de 90, e conta a história de uma família com pai, mãe, duas filhas e um filho, que vivem as mudanças e dramas de uma separação. É por esses anos que acontecem as grandes transformações no padrão familiar brasileiro. Pai vivendo de um lado e mãe de outro. Assim como todas as possíveis novas construções.

O momento é contado pelos olhos da menina de 14 anos, Felipa, interpretada pela iniciante Laura. Descoberta pelo orkut, Laura até ontem, sentada numa cadeira respondendo a perguntas dos jornalistas, não tinha se dado conta ainda do que tinha acontecido na sua vida. Ela contou que as pessoas queriam saber se estava cansada de trabalhar tanto, num set de filmagem por meses e tal, e ela não entendia, porque pra ela aquilo não era trabalho, era diversão. No elenco tinham muitos outros da mesma idade. O engraçado é conhecer esse processo todo. A pessoa tá lá, mexendo no orkut e de repente é descoberta por uma produção dessas? Sem ser atriz, nem nada. Pô, assim? O tempo que levou pra ela acreditar no convite recebido por scrap e convencer a mãe a deixá-la fazer o teste se estendeu por mais de três meses. Isso porque o Heitor já tinha testado, até então, mais de 600 meninas (!!). Isso chama o que? Destino? Sorte? Vai saber…

O diretor de fotografia contou que era impressionante a luz que caía sobre a menina. Em cenas que colocavam a mesma luz para todos os atores, eles podiam olhar e perceber facilmente a luz diferenciada sobre ela. Incrível a vida.

O lugar das filmagens é lindo, a luz toda é linda… A idéia de se remeter tudo o que é contado à alguma parte da memória do diretor e ator e roteirista e todos que estavam ali, a relação do pai com a filha, a dor da separação, a difícil decisão que a mãe precisa tomar, a adolescência, o brilho de um olhar que forma o que seremos quando “adultos”, tudo consegue se completar e ser delicado e ter um frescor que me encantou desde a primeira vez.

Já ouvi gente falando mal e já ouvi que não vai ser comercial, mas o que eu sei é que em mim pegou. E cinema, pra mim, é isso. Ou pega ou não pega. Lá em Cannes o pessoal aplaudiu de pé por longos minutos. Prefiro seguir essa maré.

A estréia nacional é agora, dia 31.

(engraçada a sensação que eu tenho quando vou a essas coletivas e sessões de imprensa. ora acredito cegamente que é isso que eu gostaria de fazer a vida toda, e seria capaz de fazer, ora penso que é longe demais e não sou capaz nem de chegar perto. sei lá. a dúvida faz parte do processo. e eu preciso tentar. desse mal eu não morro, tô sempre tentando)

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Fui assistir hoje o filme que eu tentei ver na Mostra, ano passado, mas cheguei atrasada. Apenas o fim. De Matheus Souza, com Érika Mader e Gregório Duvivier. Amei, claro. Era tudo que eu esperava mais uma pitada de bom humor, atuações na medida e surpresas caídas como uma luva. Lindo. Cheio de diálogos, daqueles filmes que a maioria dos homens não gosta. Ainda bem que tem uma minoria por aí que eu ainda hei de conhecer.

(…)

Ontem vi também Jean Charles. Do Henrique Goldman, com Selton Mello e Vanessa Jácomo, além de personagens reais que atuam em suas próprias peles. Gostei também. Assisti coletiva e vi o Selton de perto. Não vou ser tiete a ponto de ficar falando que o cara é foda, gato, inteligente, charmoso, alto e tal, nem pensar, mas foi bem legal a experiência. A história real é bem tocante e a forma como o diretor tocou a narrativa foi na medida entre o apelativo, a realidade e a ficção. Nada de transformar o cara em herói. Essa era a medida a ser alcançada. E foi.

(…)

Pois é, ando relapsa. Era mais o que eu tinha pra falar. Um tantão mais, aliás. Mas só saem algumas linhas. Feias. Sem encanto. Queria ser como aquele casal do filme. Queria de novo a sensação que o filme me relembrou. Claro, que em menores proporções. Aquilo ali é o sonho de qualquer um. Digo, do filme do Matheus. Sou capaz de apostar que ele se apaixonou por alguém que foi embora sem mais nem menos. Por acaso alguém vai embora com mais e menos? Não. Dizem que simplesmente acaba. Outros simplesmente nem começam. Uns nem tentam explicar. E se põe o ponto final. Alguém põe, porque o rejeitado nunca consegue tal façanha. Rejeitado? Ô palavra feia. Feia, feia, feia. Não é assim também. Melhor não pensar. Retroceder jamais. É pra frente, entende. Não adianta se prender a nada. E aumentar do tamanho que o amor lhe parece. É menos. Bem menos. Paramos: cérebro e coração. Nem memória, nem desejos. Esqueça. Eis o caminho que se vê lá em algum lugar. E eu fico pensando que ela tem razão, a personagem da Érika, amor eterno é amor impossível. Que seja. Já tô deitada e logo me encolherei no cantinho quente da cama até dormir e dormir e dormir. Sempre esperando pelo sonho bom. Sempre sonhando com o amor bom. Viro pro lado, arrumo o travesseiro e tento não pensar em mais nada. A luta foda mesmo é contra a memória poética cheia de sininhos e carinhos e olhares sorrisos. Delete na parte ruim. É assim que ela trabalha. A memória. E a cabeça desenhada pelo coração. Bonito isso. Acho que é o sono. Os gambás ganharam. Os porcos perderam. E agora é sonhar também com a vitória do meu amanhã. Zicar é fácil. Torcer é que tá difícil. Aí eu misturo tudo mesmo na hora de dormir. Acontece assim todas as noites, se quer saber. Misturo um com outro, futebol com trabalho, fome com cheiro, lembrança com desejo. Daqui a pouco adormeço.

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