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Archive for setembro \30\UTC 2011

o assunto é o meu pé. do umbigo para o pé é um pulo. uma piscadela num instante qualquer. e eu ali, subindo escadas, numa perna só, nos ombros de alguém, quase caindo, de novo de pé. e a minha vida dando piruetas fora do palco. me tirei do palco e de repente os artistas ficaram tão interessantes. aqueles de antes e os novos. jogar sinuca é improvável, não consigo o equilíbrio. jogar conversa fora, guardar segredo, fazer piada da dor e da fuga e fingir que durmo tranquilamente sem nenhum sonho com você, consigo, meu equilíbrio acontece antes e depois do álcool. durante, eu meto mesmo os pés pelas mãos. nesse caso: um pé valendo por cem. os nossos pés cruzados, um sim, um não, em cima da cama, de frente, de bruços, o corpo todo pesando sobre o meu. feito música. deitada enquanto a vida corre lá longe, eu penso em nada. pensar em nada é um objetivo alcançado. dou pulinhos até segunda-feira, pra agradecer.

eu já te disse que consigo?
sim, eu consigo.

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me segura?

os ventos:
tenho pânico

vamos sentindo a mudança
as turbulências
a volta
a solidão
o desespero
dar um passo pra trás
e outro
depois outro
sempre a volta
ao centro do nada

eu:
o nada

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eu pensei assim: o que você gosta mesmo é de ser abraçada no meio da noite.

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uma pessoa ansiosa sozinha em casa toma cerveja e ouve música e conversa no facebook e não consegue ficar parada nem com o pé quebrado. de pulo em pulo eu chego na minha cama. e quase durmo. agora é de manhã, é primavera, é sexta-feira, é é e é. e ponto. passou. a montanha russa chegou ao chão. e eu passei o trajeto todo com as mãos pro alto. porque eu não aprendo: arregalo os olhos e não seguro em nada durante a queda.

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sabe quando o coração fica palpitando assim de um jeito que você não sabe parar e não quer parar?
e dá vontade de gritar e dá vontade de sorrir e você canta bem alto
(apesar do pé quebrado)
um dia ainda vou entender que não é ‘apesar de’, é ‘devido ao’
coisas dessa coisa que chamamos: vida
 

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tem um carinho que não tem nome que represente a real beleza. ela aqui cozinhando pra mim. eles aqui bebendo e arrumando o lugar pra apoiar o pé. as flores ali no alto, não vou conseguir molhar. ela limpando cada pedacinho de chão. ele lembrando daquele texto tão bobo e bonito que escrevi quase em outra vida. ela abrindo o vinho. ela telefonando e comprando remédio e pedindo pizza e resolvendo tudo. ela perguntando quando será o dia que vai cuidar de mim. eles cuidando de mim. o carinho sem nome, porque é muito mais. é o tudo. o céu e a água que me fizeram nova resgatando a velha sendo nova, outra, uma espécie de carinho sem nome ganhando corpo. e andando. e, porra, nunca mais aquilo, prometo. a janela ali, não tem mais desespero.

ele disse assim: fecha o vidro
e gritou dentro do carro
posso gritar?, eu perguntei
e ele abriu o vidro
o medo todo se dissolvendo no vento
a mão dele pequena
a minha mão ainda menor
um beijo lindo embaixo do lençol

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consertando o pé

ei, tempo: corre!
corre muito.
quero ir junto, com os dois pés, tenho pressa.

e a voz diz:
calma, calma,
cal-
ma.

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