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Archive for março \31\UTC 2011

pra que tudo isso?

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um pedaço de tudo

agora ela fica olhando os passarinhos na calçada. é como se tivesse perdido um amigo no escuro do medo. olha os passarinhos, os ouve cutucando o asfalto como se fosse salgado. os dias passam sem que ela note as horas. ela caiu de cima da nuvem e agora o chão rejeita os novos passos. quando era mais nova via as meninas dos livros sozinhas em seus quartos, olhando pela janela. ela não abre mais a janela. quando era mais nova conheceu um menino que entrou nos seus olhos no dia em que se olharam deitados no parque. ele olhava lá no fundo e brincava com as cores. ela olhava ele lá dentro. ela não sabe guardar lembranças numa caixinha. ela fica olhando os passarinhos enquanto o menino voa sozinho. ele gosta de entrar debaixo da ducha pelando do chuveiro.

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concreto

procurando uma anotação importante. algo real, entende?

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número da sorte

eu tinha um número da sorte. em tudo que eu olhava, lá estava ele. nas camisetas dos caras que marcavam os gols. nos contatos de telefone. nas contas finais do cartão de crédito. no relógio. nos muros grafitados da cidade. eu não tenho muita sorte. esqueci o número. às vezes eu olho no relógio e os números aparecem dobrados. às vezes eu somo os números das placas dos carros e eles sempre dão o mesmo resultado. às vezes eu conto estrelas e elas se multiplicam quando eu fecho os olhos. eu não tenho muita sorte. esqueci de olhar pro céu quando escurece.

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ainda não consegui descrever a sensação.
ontem um cara num carro branco abaixou o vidro e me agradeceu.
acho que ele entendeu a sensação.

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aquela

capacidade zero de concentração. perguntas sem respostas. saudade mata? matar a saudade existe? sua cabeça vê cenas inteiras acontecendo? você pode sentir? qual o tamanho do seu medo? capacidade zero de coerência. dormir não é suficiente. trinta e poucas horas são insuficientes. os andares lá em cima me lembram da leveza que foi. dias e dias de peso pena nas costas. me dá o feriado de volta que te dou minhas mãos. serve? posso descansar perto da piscina? quando tiver muito muito longe e frio ou muito muito perto e calor, pensa em mim de olhos abertos? faz de conta que é simples. é só leve.

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agora ontem

os taxistas não param de falar. “amor, você prefere qual caminho?”. “sabe, amor?’. então, eu não sou seu amor, pensei em falar. devia ter um botão ao lado do vidro pra calar a boca dos taxistas. eu tava tão cansada. doía pra respirar. na redação as pessoas carregam uma nuvem na cabeça. eu tinha só o urubu de sempre. nos ombros. tinha um cara com uma voz forte. não conseguia parar de prestar atenção. no rádio começou o tim maia. era uma música tão bonitinha que eu tive vontade de desaparecer dentro de algum travesseiro. fiquei ouvindo devagarinho dentro de mim dentro do rádio fora daqui. era sobre esquecimento. eu tava tão cansada. eu acabo antes do dia. é pesado.

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