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Archive for dezembro \28\UTC 2010

resistência zero

lembro que era época de comunidade de orkut. eu nem falava com ela durante as aulas, mas eu lembro da comunidade que ela entrou: adoro fazer amigos. anos depois, com pelo menos uma ligação telefônica diária, “terapia compartilhada” e doses generosas de cerveja, ainda lembro da tal comunidade quando olho pra ela. a roda viva pode ser engraçada. as ironias também. acordei e fui pedalar por aí. nunca doeu tanto. até nas retas precisei fazer esforço pra sair do lugar. então eu pensava: caralho, o que aconteceu? foi a comilança natalina ou a força que acabou? consegui chegar lá. tomar água. sentar um bocadinho. e voltar. acho que eu ri quando cheguei na garagem. não consegui chegar na casa dele, mal consegui chegar no parque hoje, a distância só aumenta, não consegui chegar nele. as metáforas me socam a cara.

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e então, ponto final.

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faltam ainda cinco dias pro ano acabar. dois mil e dez, o ano que me deu tudo e depois tirou. arrancou de uma só vez, com cera quente. ou melhor, de uma vez e aos poucos, se é que é possível. porque tirou de uma vez e deixou aqueles restos de cera esquentando ainda os pelinhos resistentes. sai o zero do final e entra o número um. e é basicamente isso, uma simples troca de dígitos. no dia seguinte, o primeiro, vou ser a mesma, com a mesma cabeça, o mesmo medo, a mesma dor e o mesmo sorriso besta. não muda nada, apesar das pessoas se cobrarem a felicidade absoluta em um único dia. grande bobagem. é só um dia e uma noite e uma madrugada como outra qualquer. dessa vez acho que vou estar encarando o mar. vou tentar fazer uma cara de brava pra ver se eles me entendem. sei que não vou conseguir. eu amoleço logo, não resisto nem a sete dias sem um contato qualquer. isso porque nem falo mais do mar e da minha cara e do que eu vou pensar na hora. só tenho um pedido e vou repetir ele ainda por muito tempo. no tal dia último, no primeiro, nos próximos todos. minha vida virou olhar pela janela, fixar os olhos no céu. aqui, lá, em qualquer lugar, lá estou eu, olhando pela janela. não sei onde meus olhos me esperam levar. esperança é uma pintura do céu diante de olhos cansados. o caio f. escreveu assim:

“Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. “

é o que eu gostaria de dizer.

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querida, sinto tanto a sua falta

tenho pensado tanto que a minha cabeça parece não caber dentro do céu. algumas lembranças ficam voltando pra me mostrar alguma coisa que eu ainda não sei o que é. a vida parecia maior dentro daquela sua bolsa no meio de jabuticabas. posso fechar os olhos agora e ver a escada que dava pra sua casa. vou entrando e vejo a porta cinza, enorme, a sala, seu quarto do lado direito, sua coleção de gibis no banheiro, sua coleção de capricho e pasta de poesias no armário, o pé de jabuticaba no fundo da cozinha, aquele quintal. você já sabia que seria jornalista e se orgulhava das estrelinhas vermelhas pregadas na bolsa. a gente tinha a mesma idade, mas você parecia saber tão mais. tanto tempo depois e você deve estar surpresa com a minha carta. quando você mudou de cidade nos prometemos a correspondência por cartas. durou um tempo, mas paramos. e depois, com email, facebook e twitter, quem é que ainda manda cartas? não faz o menor sentido. na minha cabeça, as coisas que não fazem sentido crescem de um tamanho descomunal que não consigo lidar. queria me esconder aí embaixo da sua cama. é o mais longe que consigo imaginar. minha ambição é menor do que o meu umbigo. infinitamente. sabe, hoje é o segundo dia. e o segundo dia é só o dia depois do primeiro. não ganhei forças ou super-poderes. continuo aqui, tentando e tentando. não sei como vai ser. eu também não sabia naquele tempo. você foi embora e eu sinto sua falta. as pessoas vão embora e eu vou acumulando faltas. espero que o jornalismo tenha te preenchido como pareciam te preencher as estrelinhas vermelhas. saindo daqui, procuro pelas jabuticabas.

um beijo

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primeiro dia

meio dormindo meio acordada criei diálogos enormes na cabeça. dentro da minha cabeça têm trezentas vozes que dizem o que querem. levantei e abri a janela. um céu gigante engoliu os suspiros que vinham antes da idéia de lágrimas. quando a vontade de chorar vier com força, prometo que largo tudo, prometo que desço correndo, pego meu presente e corro pra minha árvore. o vento vai bater na minha cara no caminho e então eu vou sentar bem quietinha e berrar por dentro. chorar por dentro. deixar tudo lá até que

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obrigada.

que fiquem as flores. não sei se agradeci direito. obrigada. ando mal das pernas e esquecendo do que deveria ficar fixado no corpo todo como realidade. que aconteceu e foi bom. como as flores. os livros. e os abraços todos. abraçostodos. flores mágicas. daquelas que você espera cair a última pétala para se dar conta de que passou. quero ficar boa. quero lembrar das flores e dos abraços. preciso acreditar com os olhos o que eu ouvi com os ouvidos.

um dia aprendo a terminar o dezessete no dezessete. sem avançar o dezoito. nos poupar. precisamos.

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e desapareceu

ela foi ficando quieta. como um trato com o silêncio, foi ficando quieta, pelos cantos e sombras, olhando de longe, se distanciando, ficando quieta. os dias demoram a passar, mas os meses acabam num piscar de olhos. e a idade avança, ela troca dígitos ao dizer a quantidade de anos. aos poucos foi diminuindo o tom da voz. diminuiu o teor dos argumentos. foi ficando quieta. um dia após o outro, em silêncio, falando pouco, respondendo às perguntas, esquecendo de perguntar. e foi desaparecendo. ela foi ficando quieta. nos primeiros dias, frases completas. nos outros, respostas monossilábicas. pelos cantos e sombras foi desaparecendo. de volta ao cinza. um pacto com o silêncio. ela e o tempo. uma palavra a menos a cada dia. até que conseguiu. foi embora. sem a dose detestável de drama. e ninguém mais notou a sua presença. e ninguém mais notou a sua ausência. e ninguém mais.

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