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Archive for novembro \23\UTC 2010

a água do miojo fervendo e eu olhando pra essa tela em branco. às vezes abro a página do blogue e acabo decidindo por não escrever nada. fico com a impressão de pesar sobre as pessoas e pesar sobre as palavras e sobre qualquer coisa que esteja por perto. então penso em me recolher. não consigo desligar o celular. não consigo pensar em coisas bonitas quando acordo. é como se eu também pesasse sobre mim mesma. um corpo que não sabe até onde pode chegar. mas se sabe exausto. eu sei fazer miojo olhando os três minutos no relógio. deixo passar um pouco porque acho mais bonito o aspecto um pouquinho além do tempo da propaganda. mas eu só sei olhando. não sei quantos segundos são. acho que to aprendendo a andar por aí no meio dos carros, em cima da bicicleta, bem no meio dessa cidade. é uma sensação que vicia, como já imaginava. ontem levei a primeira buzinada. nem liguei. agora preciso descobrir um caminho que me faça chegar no destino ultrapassando a montanha que tem no meio do caminho. e isso não é uma metáfora. uma metáfora é dizer: o amor é um homem do seu tamanho dentro da minha cabeça. não cabe. por isso você devia ter aceitado a proposta de ficar no meu bolso. no bolso não dói. a essa altura já comi o miojo todo. sempre sobra um caldinho meio esquisito que me lembra a exata composição de pó artificial e macarrão não-macarrão. eles devem colocar algum componente viciante lá na fábrica. sei lá. quando eu ficar muito grande e muito esperta, eu vou pegar a minha cabeça, vou chacoalhar ela bem forte, organizar cada lembrança no seu lugar e jogar toda a dor no lixo. porque amor é apenas a junção de duas vogais com duas consoantes. e é a cabeça que transforma as coisas. na primeira vez que andei de bicicleta sozinha, no meio dos carros e do caos todo, eu cheguei lá no meu destino, ainda sozinha, olhei pros meus braços e senti uma coceira ardida entre o cotovelo e o ombro, dos dois braços, eu olhei e tinham várias bolinhas vermelhas, que eu liguei na hora a uma alergia ou qualquer coisa do tipo, pensei nas plantas do parque, as árvores que quase encostavam em mim, mas elas ficavam no quase e não encostavam de fato, então eu logo pensei que eram o que realmente eram, o medo, o cagaço, o sei-lá-o-quê que eu tava enfrentando, a adrenalina, a coragem, tanto é que eu parei, desci da bicicleta, sentei na minha árvore, que podia ser nossa árvore, e eu sentei lá, respirei por um minuto e as bolinhas foram sumindo, fui sentindo a transpiração, o alívio, e as bolinhas sumindo. é porque a cabeça da gente que cria tudo. ela nem sabe o que a aguarda quando eu ficar muito grande e muito esperta.

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fim

então ela foi lá
e morreu.
que o corpo
siga a ordem
sem ela.

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não aprendi nada. não descobri nada. vejo as pessoas andando e comendo e vivendo. queria tanto.

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então eu fui feliz de verdade. um mês, pouco mais, dois meses, pouco menos. não sabia o que era ser feliz desse jeito, não sabia que era possível, nunca soube. mesmo assim eu fui. e posso encher a boca pra dizer que foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos cem anos. cem mil anos. que tinha fim, eu sabia bem. se tem uma coisa que eu sei bem é que basta você sorrir loucamente pra maré virar completamente e o travesseiro sobrar quentinho em cima da cama como única alternativa. eu não queria. queria poder sonhar ainda com a felicidade acontecendo fora do sonho. entende? um sonho parecendo sonho, com todos os aspectos de sonho – o frio na barriga, o poder de vôo, a facilidade em chegar entre pontos aparentemente distantes, viajar e nem perceber que se entrou num ônibus, não se dar conta dos dias, das horas, do dinheiro que tem na conta, o coração palpitando e a sensação de um salto enorme com braços esperando para o pouso seguro – sendo realidade. nem parece que eu dormi durante esse tempo. é como se eu tivesse ficado o tempo todo com os olhos arregalados para não perder nada. mas aí veio o fim. e o perder de uma vez. os olhos duros e a realidade apontando o dedo na minha cara: pronto, brincou de ser feliz, viu como é? meus parabéns! agora coloca aí os pés no chão que o resto não tem nada a ver com isso. o dedo bem na minha fuça. e eu caí. o corpo todo estatelado no chão. tinha um grupo lá, de mãos dadas, eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço, eles repetiam. eu peço, eu peço, eu peço, eu pensava. e fazia um pedido. ele sorria e eu sorria. e era quase melhor do que o tal antes.

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eu não sabia

sabe, gargalhar?
eu não sabia.
uns apertões nas costas
e lá estou eu
gargalhando
pela primeira vez.

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é claro que eu sabia

eu sabia que ia ser breve. no fundo eu sempre sei o tempo que eu tenho. não sou daquele tipo apaixonante, aquela pessoa que os outros se encantam, querem ter por perto, têm sonhos e sonhos, esperam pra ver na segunda ou na quinta-feira, tremem quando ouvem a voz no telefone. definitivamente não sou essa pessoa. tenho meu tempo pré-determinado. uma ou duas noites. e depois o azar de cruzar por aí a qualquer momento. eu queria dormir tranquilamente e ter a noção exata desse tempo pra não deixar uma lágrima sequer me dominar e impulsionar todas as outras. eu não pedi pra estar aqui. ainda assim estou. então, o que eu faço com isso? não sei. queria ter o direito de escolha. não estar aqui. não escolhi não ser apaixonante e ainda assim não sou. então, pra que? pra que o esforço imbecil? pensar em surpresas e depois não suportar a caixa dormindo ao lado da cama. é só um minuto de paz e cinquenta milhões de horas de desespero. sabe, eu não pedi esse corpo, esse jeito imbecil de andar e dizer coisas, não pedi pra amar e acreditar em coisas idiotas. não pedi mesmo pra estar aqui agora. o que eu peço todo dia? ah, é tão simples. é o sono. o prazer de não ser mais nada.

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podia existir um sal de frutas pra alma ou sei lá que nome tem isso que não deixa dormir nem pensar nem trabalhar nem andar direito por aí quando se está cansada.

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