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Archive for outubro \31\UTC 2010

por aqui

digo menos e sinto mais, eis a fórmula do (in)sucesso. comi e dormi feito criança a tarde toda. eu to sempre indo e vindo dentro de um ônibus barulhento e cheio. no sonho aconteceu o mesmo. eu, sentada dentro de um ônibus, e sentindo um aperto no peito, uma tristeza realmente triste. eu tinha uma mochila no colo, umas revistas, fone no ouvido. me sentia muito triste, então tocava uma música do raul. eu nem tinha raul no ipod roubado. tocava bem alto, como se tivesse tocando a música também fora do sonho, mas não tocava, bem alto, ‘basta ser sincero e desejar profundo’ ‘tente outra vez’. acordei tentando entender, como de costume. é tipo um vício isso de querer entender e entender e entender. a merda é que eu sempre acabo entendendo e aceitando. sinto uma falta gritante de pessoas que estiveram comigo nos últimos minutos. é uma sensação ruim o ir embora. não sei dizer tchau, fico sem palavras, sem sorrisos, sem jeito. sinto saudade, sinto um aperto. não, eu não entendo. eu só aceito.

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a tal

sinto saudade e é uma parte incontrolável de mim que escreve sobre ela. coloco na necessidade de férias a minha desculpa para o cansaço e a desmotivação para o dia-a-dia. fico pensando que eu poderia ficar com ele deitada em uma toalha dessas de parque com assuntos inteiros e silêncios tranquilos vendo o dia-a-dia passar por tempo indeterminado. não sei quando cansaria. ele se cansaria bem antes, claro. a saudade tem seus dois lados, é bonita e confortável, porque você pensa em alguém com carinho e tem vontade de ligar pra ele e contar que sentiu saudade ou pegar um ônibus, um avião, uma bicicleta, umas pernas e correr pra dizer isso pessoalmente e então deixar de senti-la por alguns instantes. mas ela é ruim bem ao mesmo tempo que é bonita, porque você tem regras a seguir, conselhos e respostas a ouvir, ‘é besteira’, ‘é caro’, ‘já saudade?’, ‘o que é isso?’ e, não importa, a saudade é bonita sim. dói como tudo que se sente bonito.

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é no raso que elas nadam. essa noite sonhei que entrava numa loja para comprar tênis. tinham muitas promoções e eu pensava: com menos de cem reais eu compro um tênis bom e vou andar melhor de bicicleta, posicionar o pé pra frente pra não estragar meus joelhos. tinha um tênis azul brilhante exposto e eu decidia que era ele, bonito, brilhante e por um preço simbólico, menos de cem reais, vejam só. o sonho foi parar em outro lugar, com outras pessoas, era carnaval ou alguma festa de rua e eu bebia cerveja em uma mesa posicionada na calçada. depois era em uma arquibancada que eu me via sentada. eu sentia ciúmes. um ciúme igualzinho ao que eu sinto vez ou outra acordada. nos sonhos eu sinto com a mesma força que acordada, incrível. demorei horas pra dormir. a televisão ligada, o computador ligado, o celular ligado, as luzes acesas, o bolo de chocolate na mesa da cozinha, a geladeira fazendo aquele barulho, a minha cabeça perdida dentro do coração, do pulso, sei lá, de algum lugar bem fundo, longe da superfície.

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o que fazer com os outros dias depois de um dia perfeito?

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No julgamento de hoje, quatro crianças dependuradas no colo de uma mãe choravam e riam e gritavam enquanto ela também chorava e olhava pro réu. Eu, atrasada quase uma hora, propositalmente, assinei meu nome e sentei logo na primeira fileira encarando a urna de madeira. Não vou ser sorteada, não vou ser sorteada, não vou ser sorteada. Juliana Marques…G-o-l-a, falou a juíza meio sem certeza sobre a pronúncia. Claro que fui sorteada. Dessa vez o quinto ou sexto nome. Levantei, olhei para juíza, olhei para o advogado de defesa e esperei com os olhos meio perdidos no meio dos dois. Recuso e agradeço a presença, o advogado disse sem sequer olhar pra minha cara. Ele não me quis. Jornalista? Mulher? Mulher e jornalista? Não sei. Mas sei que fui a penúltima recusa a que ele tem direito. Olhei rápido pro réu mais uma vez. Peguei meu papel de dispensa, olhei a próxima data, primeiro de dezembro, bem no meio das minhas férias, pensei. Voltei pra sala. Ouvi a acusação. Ouvi o começo do depoimento da primeira testemunha. O réu acusado de assassinar a mulher por ciúmes. Tiros depois de uma discussão. O ano? Mil novecentos e noventa e nove. Mais de dez anos depois, o julgamento. Fui embora sem saber a quantos anos ele foi condenado. O advogado de defesa dessa vez era um tipão de filme americano, cheio de gel no cabelo e a roupa impecável. Era alto e imponente. Talvez tenha se saído bem na defesa, mas eu sei, sei mesmo sem saber que o cara foi condenado. Na rua, o sol tava estúpido.

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essa é a imagem:

uma pessoa maluca procurando a sensatez.

(e respirando o mantra: não estrague tudo / não estrague tudo / não estrague tudo)

com cuidado anda pela beirada, pisando devagarinho, olhando para o caminho que está logo a frente, no próximo passo, olhos, ouvidos, boca, atenta, respirando em ritmo lento, esquecendo a palpitação, o tremor de pernas, as mãos suando, tentando, tentando com todas as forças, silenciando, tampando a boca com as duas mãos.

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> colocando os calcanhares pra trabalhar. de repente uma sensação boa e a vontade de guardar ela numa caixinha sempre perto dos olhos pros momentos de necessidade. são tantos.

>> queria fazer uma arrumação geral, arregaçar as mangas, as calças, sentar num cantinho do quarto e colocar tudo no lugar. coisinha por coisinha. sentimento por sentimento. esticar as pernas, levantar os braços, gritar bem alto com a janela aberta. esperar o vento bater bem forte, fechar a janela de uma vez e respirar a brisa que fica por alguns segundos. como se eu pudesse respirar sozinha toda a brisa necessária para puxar com força o ar e jogar fora a parte preta que pinta o pulmão. então, acalmar as idéias. segurar o coração com a mão até a pulsação seguir a mesma batida da espera. e não mais esperar.

>>> no telefone meu amigo deu uma gargalhada tão boa depois de tirar uma da minha cara que eu quase nem lembrei mais que existia a vontade de chorar.

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