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Archive for agosto \30\UTC 2010

mais uma rejeição a caminho. é só uma questão de tempo. o que eu devo fazer? nada. por mais que eu faça, a reação vai ser a mesma. então? então eu pego a vontade que me dá de sair da cama e me arrumar e escolher a roupa pensando no primeiro de tantos sonhos que começou nessa madrugada e guardo ela para o resto do dia. é a vontade de ver de novo. é a vontade de conversar horas e horas. é a vontade de saber no que ele pensa quando viaja sozinho pro interior. é a vontade de olhar de novo bem no fundo dos olhos agora que eu enxergo direito com lentes de contato. é o tal começar de novo. um novo e surpreendente ponto de fuga. já tô até vendo a ceninha ridícula de quem não consegue mais ser a mesma só porque sonhou numa noite qualquer que se enroscava toda no corpo dele enquanto sorria um sorriso lindo de satisfação. o que é que eu vou fazer pra evitar? nada. eu vou é brindar às possibilidades de encantamento. hoje minha imaginação me salvou. lá na frente, quando chegar a rejeição, ela vai me foder. é assim que é. 

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me empanturro de culpa.

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bukowski duplo

Aviso

os cisnes se afogam em águas sujas,
retirem os avisos,
testem os venenos,
isolem a vaca
do touro,
a peônia do sol,
tirem os beijos de alfazema de minha noite,
botem as sinfonias nas ruas
como mendigos,
afiem as garras,
açoitem as costas dos santos,
atordoem sapos e ratos para o gato,
queimem os quadros encantados,
mijem no amanhecer,
meu amor
está morto.

 

O bluebird

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais forte que ele,
eu falo, fica aí dentro, eu não vou
deixar ninguém
te ver.

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro
fumaça de cigarro
e as putas e os barmen
e as caixas do mercado
nunca sabem que
ele está
aqui dentro.

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais forte que ele,
eu falo,
fica na tua, você quer me pôr
em apuros?
você quer sacanear minha
obra?
detonar com minha venda de livros na
Europa?

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais esperto, só deixo ele sair
de noite às vezes
quando todos estão dormindo.
eu falo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

daí o ponho de volta,
mas ele ainda canta um pouco
aqui dentro, eu não o deixei morrer
totalmente
e a gente dorme junto desse
jeito
com nosso
pacto secreto
e é bem capaz de
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, você
chora?

Charles Bukowski – tradução: Fernando Koproski
no livro:
Essa loucura roubada
que não desejo
a ninguém
a não
ser a mim mesmo
amém

(tô com o livro que aluguei na biblioteca. é o tipo de livro obrigatório, que eu queria ter pra possíveis salvamentos no meio da madrugada ou depois do almoço. procurei na editora, nas livrarias, nos sebos e nada. esgotado. palavra feia. nessa hora tinha que existir aquilo que acontece em filmes, de alguém passar por aqui, ler isso, e lembrar, assim, de repente, que tem um exemplar empoeirado em casa, sobrando, a mais na estante, sei lá, algo do tipo, e passar aqui bem na hora, ouvir aquele estalo, o tal estalo que diz, pronto, o livro é dela. então eu receberia pelo correio. nos filmes, os caras não perdem tempo com o processo todo de como conseguir o endereço e tal. na realidade, eu poderia receber um email com a pergunta do meu endereço. ou um recado aqui no comentário. no problem.)

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raridade:

prestes a me sentir feliz

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eu te liguei

influenciada por uns textos antigos que eu achei guardados no meu email. influenciada pela combinação de noite quente com cerveja gelada, cerveja, aliás, de marca nunca antes provada. influenciada pelos versos de uma poesia que virou música e grudou na minha cabeça assim que eu acordei. influenciada pela lua, quase cheia, quase minha. influenciada pelas coincidências da rua, da noite, da vida. influenciada pelas risadas soltas em boa companhia. influenciada pelo reencontro familiar. influenciada pelo meu nome dito em câmera lenta na despedida.  influenciada pela saudade que eu cutuquei semana passada. influenciada pela sensação de amor que me toma quando a tarde escurece e o sol já não mais existe. influenciada pelo caminho de volta pra casa, pelo motorista de ônibus que esperou o farol fechar pra eu atravessar e subir, pelo silêncio inexistente dentro do meu cérebro, pela fome que eu tenho de esculhambar a sua vida: eu te liguei.

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descansar

no trabalho, o meu fundo de tela tem uma mulher de cabelo vermelho. em volta dela, o mar, a areia e algumas pedras. ela tá sentada bem pertinho da pequena onda que parece voltar pro mar. daquelas bem calmas, quase leves. ela usa uma calça listrada azul e branca. e segura alguma coisa nas mãos. o rosto está virado pra essa coisa. eu gostei do cabelo vermelho quando olhei a foto. acho que nem tinha reparado no mar. hoje vi o mar. queria sentar ali no lugar dela e pensar no mar. daqui, eu penso nas pedras. queria ter o cabelo vermelho.

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viu, viu

eu poderia pensar em você todas as noites. de dia eu pagaria contas, andaria de ônibus, trabalharia, comeria. acontece que eu penso em você em horários inesperados. nunca estou com a cabeça deitada no travesseiro. penso enquanto falo com o cara que entrega água, por exemplo. penso em você quando viro a esquina. eu poderia simplesmente te guardar para os momentos de solidão. acontece que nos momentos de solidão eu normalmente fico em paz. você aparece mesmo é nos momentos de bebedeira. eu quase sempre choro quando isso acontece. porque é quando eu tô voltando pra casa, bêbada, que você ganha a força descomunal. eu sinto seu cheiro, vejo o seu sorriso meio de lado, ouço o seu sotaque e então eu choro. é sempre no caminho de casa. fico com o nó na garganta peculiar. sinto as mãos tremendo enquanto as lembranças vêm feito enxurrada. é como se eu te dissesse, viu, viu o quanto eu ainda penso em você? viu, viu, eu não acordei um dia e não senti mais nada.

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