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Archive for abril \30\UTC 2010

ganhar três partidas de sinuca seguidas. o resto é realidade. é a noite destruindo a fantasia. a noite deixando claro quem manda aqui.

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pensei que essas coisas não existissem: acordei com você do meu lado. tem gente que chama de sonho. tem gente que chama de saudade. eu não chamo de nada. era você do meu lado, as sobrancelhas falantes, o sorriso mole, os olhos aparentemente sonolentos, as pernas acordadas e o corpo todo do meu lado. não lembro se era um carro, uma rua ou duas mãos quase próximas. você e eu, lado a lado. de olhos bem fechados agarrei o cobertor e pedacinho do travesseiro para dormir e não precisar lembrar que já faz mais de um ano, cem mil dias, trocentas idéias perdidas que não nos vemos de perto. a questão física pode destruir uma visão boa: acordei com você do meu lado.

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Ambos

é só um jeito de mexer as mãos e não arrumar o cabelo

um jeito de não olhar pra trás quando tá afim de ir embora

ir embora e não levar o problema junto

é só o jeito triste como os olhos se apresentam no rosto

um jeito de caminhar arrastando o peso das pernas e buracos

andar por aí sem segurar as horas

é só um jeito irônico de sorrir naturalmente

um jeito de ter pessoas por perto cutucando a bendita solidão 

ficar parado olhando o longe

é só um jeito de cantar com os sentidos todos

um jeito de segurar a tensão ainda por alguns segundos

ouvir a mesma música no escuro

talvez seja só o olhar que não me nota presente

talvez seja só o jeito de não me olhar mais do que de relance

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mágica

nada nessa mão

nada na outra mão

 

eis a mágica da vida

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uma certeza?

não tenho.

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combinar, combina

têm umas combinações que parecem estar na medida, mas elas não acontecem. o jogador do meio de campo e o atacante veloz, por exemplo. eu tava lá ontem quando as coisas não aconteceram. o time parece pouco afim. mas o discurso é distante disso. quase me convenci no pós-jogo que a rádio transmite. uma porção delas, aliás. combinações que não combinam. citei o futebol para falar amenidades. ontem eu tinha que estar lá, era quase uma questão de destino. dessas questões que eu não acredito, aliás. eu estive lá ontem, acompanhada de mais de cinquenta mil pessoas. o morumbi lindo para um jogo feio. taí mais uma combinação aparentemente na medida, mas que não aconteceu. é um pensamento óbvio, eu sei.

 

esses dois links levam à dois livros de poesias de um cara que escreve bem pra caramba. descobri hoje. li hoje. indico hoje.

primeiro: cidade desaparecida

segundo: cartas para Naíma

o autor: Lalo Arias

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(de manhã me sinto feliz explodindo dentro da piscina sem conseguir lembrar do sonho estranho da última noite. depois da piscina me sinto disposta e tenho vontade de sair correndo pela calçada, atravessar a rua e não olhar para lado nenhum, menos ainda para o passado escondido embaixo do tapete. de tarde me sinto contente com quase acontecimentos que poderiam tomar o meu mês todo com tanta felicidade. ainda de tarde tenho vontade de contar pra todo mundo aquilo. no meio da tarde me sinto cansada, com dores nas costas e no pulmão em algum lugar dentro da barriga. no fim da tarde sinto fome e sede de mate com açaí e guaraná. no fim da tarde me sinto perdida, com a dor conversando com todos os meus buracos. o começo da noite anuncia a gritaria que vem por aí. a dor não conversa pausadamente. ou é desespero ou é anestesia geral de movimentos com trilha sonora comandada por uma britadeira.)

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retomando:

já que eu citei os livros descobertos hoje, eis uma poesia do segundo: 

28 de fevereiro

O apartamento continua o mesmo
universo de sempre.
O mesmo lar
tão mudado,
tão distinto.
Nada deveria mudar o nosso mundo,
Naíma.

Hoje cedinho
comecei a encaixotar os livros.
Não suportaria mais conviver
com tantas estórias escapando
de cada um deles.
E a mistura de vozes
e as tipologias se entrelaçando.
Cada palavra
e cada frase tomando vida
e navegando no ar da sala,
ancorando nos cantos
de todas as dependências
como móbiles,
inúmeros, infinitos.

Primeiro separei os livros por gênero,
então por autores.
O chão da sala,
do quarto,
da cozinha
e da varanda
ficou tomado.
Depois de guardar todos os livros,
fechei as caixas
e etiquetei todas elas.

Aos poucos tudo voltou ao normal.
O silêncio
de prata
e o ar
completamente desimpedido.

Enquanto as palavras descansam,
Naíma,
é possível respirar.

Lalo Arias

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não é só um clichê

um tremor nas pernas, o coração disparado, as mãos suando e o rosto ficando vermelho junto com o pescoço e orelhas e adjacências. e foi só uma voz por telefone.

uma vontade quase incontrolável de contar pra todo mundo que ele respondeu: outro, quando mandei um beijo no final, depois de umas trezentas gaguejadas entre as perguntas. e a falta de respiro.

não é só um clichê. são dois, três, quatro.

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