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Archive for março \31\UTC 2010

 

quando o amor não acontece

acontece de você acreditar na chuva que caía

na fome que faltava

no sonho que se repetia

quando o amor não acontece

acontece do outro acreditar em idéias formadas

na segurança do casco

no caminho sem as estradas

quando o amor não acontece

acontece pouca coisa

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filme de hoje:

histórias de amor duram apenas 90 minutos.

(gostei muito. além do título sensacional. tinha muito pra falar, mas é tarde)

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os pés?

– sabia que você sentava com as pernas pra cima no cinema.

– sabia como?

– seus pés não gostam muito do chão.

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Ela era

Era bonita e tinha olhos coloridos. Entrou na sala do apartamento e não reconheceu as pessoas sentadas no sofá. Disfarçou a insegurança entrando no banheiro. Olhou para o espelho e fez a pergunta que rondava os pensamentos desde dezembro: até quanto suporto? Abaixou as calças e deixou o xixi escorrer silencioso enquanto tapava os olhos com as duas mãos. Pensou na noite que lhe esperava, pensou nas opções que tinha, cogitou a possibilidade de pular pela janela. Com a maluquice na ponta da língua, deixou escapar um sorriso. Não tinha opções. Não saberia ir embora. Quase nada tem importância. Levantou a calça, lavou a mão, olhou mais uma vez para o espelho e encarnou o personagem raso. Voltou para sala e sentou-se ao lado da dona da casa. Trocou três palavras e sorriu aliviada. Olhou para a única referência que tinha e baixou os olhos. Suspirou por dentro. Amou por dentro. Ouviu o grito que tentava pular para fora: eu amo você e isso não vai passar. Sorriu com o coração ardendo. O coração não arde ao pé da letra. O colorido nem sempre guarda o pote de ouro.

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sobre os sonhos das últimas semanas ainda não consegui escrever. eu devia ter um caderno do lado da cama só pra eles, mas tenho preguiça de escrever quando acordo. é uma moleza que me impede de conseguir pegar a caneta e o papel. ligar o computador me tiraria o impulso real do imediatismo. e aí a memória daria uma escapada pra entrar em lembranças reais e misturar tudo em um único registro. meus sonhos têm sido quase uma segunda vida de tão movimentados. talvez terceira vida, até, já que a minha imaginação já é uma segunda vida de tanto que eu desenho e crio diálogos e situações e acontecimentos. quando eu tiver oitenta anos tenho certeza que vou acreditar cegamente que fiz coisas que não passaram de imaginação e sonho. talvez seja tudo a mesma coisa. sábado eu dormi fora de casa e depois do inesperado finalmente dormi com os dois olhos sem parecer esperar por alguma coisa enquanto escurece e escurece e escurece. no sonho, animais rastejantes e peçonhentos tomavam o chão de modo que eu tentava caminhar sem pisar em nenhum deles. andava aos pulos, desviando e acertando o chão com força. então eu encontrava um amigo da minha irmã, que eu mal conheço, que primeiro me seduzia, discretamente, para depois cair na cama com uma amiga minha que eu de repente acreditava perfeita para ele. os animais continuavam pelo chão, que era da casa que eu morei no interior, entre a mesa de sinuca e o vidro gigante que dava para a sala. tinha um cara que cuidava desses bichos e tinha aumentado a quantidade deles para enfim conseguir ampliar uma passarela ou sei lá o que que ficava perto da quadra. no final do sonho eu dava um sermão nele, dizendo que ele não conseguiria o aumento desse jeito e ele me olhava fixamente, me odiando. acordei e não me lembrava onde estava. demorei alguns segundos para me dar conta. antes, na outra noite, sonhei incessantemente com a mesma pessoa a noite inteirinha. sabe o que é não querer acordar porque no sonho você está próximo de alguém que você gostaria de estar próximo? deitei perto das duas da manhã e só consegui sair da cama perto da uma da tarde. porque eu acordava vez ou outra e quando fechava os olhos, o sonho continuava. e a presença era tão forte que parecia uma vida mais feliz do que se eu arrumasse força pro corpo sair da cama. antes de cometer o suicídio de mais uma ligação não atendida ou mais uma mensagem sem volta, liguei para outra pessoa e fiquei feliz de ter uma voz à minha espera. eu fico pensando naquela música que toca quando eu tô desprevenida: “às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais / hoje acordei de um sonho ruim e te liguei chorando/ teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo / tudo que não me deixa em paz / quais são as cores e as coisas pra te prender / eu tive um sonho ruim e acordei chorando / por isso eu te liguei, será que você ainda pensa em mim? / será que você ainda pensa…?” na verdade era só a parte do sonho que eu queria colocar aqui, mas não aguentei. acho bonita. antes dessas duas noites, na semana passada, sonhei que roubavam a minha bolsa e eu ia achando os pedaços de escritos pelo caminho. sentia muita vergonha das minhas palavras jogadas no chão, sujas e arrancadas. ia achando os pedaços e não achava a bolsa. no final, eu sofria com a dor da perda e com a angústia de ter que tirar tudo novo, cartões e documentos. no começo, eu tinha o cara que admiro pelas noites na minha cama. os sonhos não fazem muito sentido, mas podem ser revigorantes. ou angustiantes. tanto faz. agora eu tô bem acordada e com outras músicas na cabeça.

 

eu tenho uma gaveta que guarda o que não consigo jogar no lixo de uma vez.

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uma noite inteira com o mesmo sonho. estou enlouquecendo?

estou enlouquecendo.

vou pra longe.

 

(reticências: [Pl. de reticência.] Substantivo feminino plural. 1.Sinal de pontuação: série de três ou mais pontos que, num texto, indicam interrupção do pensamento {por ficar, em regra, facilmente subentendido o que não foi dito}, ou omissão intencional de coisa que se devia ou podia dizer, mas apenas se sugere, ou que, em certos casos, indica insinuação, segunda intenção, emoção)

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doce obsessão

ando escolhendo a melhor. aquela que caberia. são tantas. consigo não brigar com o ciúme. o ciúme é irrelevante.

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