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Archive for fevereiro \26\UTC 2010

Quem?

aquela que senta sozinha no meio de mesas cercadas por gente, sabe quem é? aquela que perde e acha o pensamento de minuto em minuto enquanto admira caras que tem certeza gostaria de ser. aquela que fica olhando de longe quase com medo de ser percebida entre cadeiras laranjas confortáveis e ar condicionado. aquela que sentada sozinha abriu o livro e leu o primeiro conto, ainda quente do lançamento, meio que encarando as letras, meio que levantando os olhos em direção da porta. aquela que entra sozinha na fila, depois de um casal, antes de um cara sozinho, embaixo da fumaça do cigarro da frente, quase do lado de um grupo de senhoras que falam com um sotaque irritante daqueles que a pessoa parece pensar em câmera lenta, palavras moles que saem de bocas moles. aquela que quase não segura os dentes na boca em uma sensação esquisita de felicidade repentina e intensa e enorme que repete para o cérebro, sim ele está vivo, ele está vivo, caralho, obrigada, ele está vivo. aquela que resolveu andar pela cidade com as próprias pernas, sem ajuda de rodas, motor, fumaça, dinheiros. aquela que sozinha desliga o som do mp3 pensando que precisa ouvir um pouco mais a rua e o que ela tem a dizer ou, sei lá, nada realmente claro como motivo, apenas desliga o som e continua a andar. aquela que sozinha abre o cd recém comprado com o último dinheiro do mês e não acredita que finalmente tem a voz em mãos para ouvir quando quiser ou estiver a ponto de explodir ainda sozinha dentro do quarto.

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queria um verso bonito

e interminável

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com zíper

quando finalmente conseguiu fechar a mala, sentando com o corpo todo por cima e puxando o zíper metodicamente, lembrou do livro que tinha decidido levar na bagagem de mão para ler enquanto o tempo fingia ser estático dentro do avião.  na hora da arrumação, colocou todos juntos para poder escolher o que ia por fora na última hora.  tinha mania de escolher o que entraria pela sua mente dependendo do momento que vivia. e o tal momento pode mudar de um minuto para o outro, não se trata de fase solar, astral ou sei lá o que. antes de dormir tinha pelo menos três opções na cabeceira. livros pela metade que não se acabavam quase sempre por falta de impulso de identificação. é como chamava o fato de não se apaixonar pelo personagem até que as páginas se dessem por insuficientes. quando se apaixonava, o livro ia de uma só vez, por mais que ela tentasse segurar a ansiedade e reter o prazer o máximo que pudesse. ele ia embora sem nem conhecer o aconchego da cabeceira. para a viagem, estava sem opção alguma. todos enfiados e bem fixados entre calças, blusas e calcinhas dentro da mala. até pode ouvir a bufada vindo lá de dentro do cansaço do corpo se autopunindo pelo esquecimento, mas não viu outro jeito. voltou-se para a estante e pescou logo o título de todas as carências e frustrações e incertezas e noites de não-preenchimento. talvez fosse mesmo o caso de um livro desses para ocupar a cabeça entre as nuvens reais. pensou na possibilidade da sorte ter contribuído para o esquecimento. pensou então no não-controle que podia estar rondando o seu corpo todo naquele segundo. sentiu um calafrio e desviou, enfim, o pensamento para algo mais racional: trocar os óculos do rosto, se olhar no espelho, garantir segurança, apoiar a mala nas rodinhas e apagar a luz antes de fechar definitivamente a porta.  

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em um mês acontece o que?

saudade é só o lugar-comum.

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te amar até a febre baixar.

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segunda-feira

gostar de alguém é entrar numa loja de calcinhas, ouvir uma música qualquer ao fundo e ter o corpo levado para bem longe sem nem dar tempo de piscar. é sentir a dor toda no meio de um passeio familiar pelo parque. não tinha acontecido desse jeito da outra vez e eu só sei pensar na próxima noite que não conseguirei dormir. dentro de mim ele diz: por que não dormir? é só fechar os olhos. a simplicidade dele é tão óbvia. mais óbvia é a consciência que eu ando tendo da situação como um todo. é aí que dói ainda mais forte. porque não há ilusão que salve. só o dramaturgo salva. eu quase posso colocar o drama na calculadora ou num programa bem sofisticado baseado da lógica do sim e não. e, porra, o que me segura nessas horas? se é assim tão certo, por que não vou embora? é o que eu penso também entre um sonho imbecil e outro durante a madrugada. sabe o que é dormir nesse calor fodido com um pensamento como esse? eu sento no meio daquele verde todo e respiro a certeza do que é hoje. a certeza filha da puta. mas uma ave dessas pescoçudas chega quase perto e eu volto pro céu limpinho e as pessoas vivendo ali bem perto. eu saio bem na hora para comprar pastel com a bia, encontrar a amanda, andar no meio das pessoas todas, bem na hora, passos perfeitos, cruzo o caminho dele e vejo ele, sem os meus óculos, sem o pescoço esticado de quem procura o que sabe que vai encontrar, bem na hora, vejo bem de perto, quase esbarro, vejo no azul da primeira vez, agora sem gola, sem botão, bem na hora, bem na bendita hora, bem na hora.

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um fiozinho de lembrança que pareça possibilidade.

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