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Archive for dezembro \30\UTC 2009

o dia lá atrás

ela abraçou a amiga, que trabalhava no caixa do bar, com um olhar de cumplicidade e carinho que me fizeram olhar para a cena e criar cenas. elas passaram por momentos difíceis e agora, uma semana depois, se abraçavam aliviadas no reencontro. não estava lá no dia e não posso imaginar fazendo meus sentidos entenderem exatamente o que elas sentiram na hora do tumulto todo. mas eu as vejo se abraçando agora e se olhando e fazendo aquela cara de ‘nós sabemos o que passamos, e apenas nós podemos dimensionar isso’ e me pego pensando em tudo que apenas duas pessoas podem compartilhar em momentos como esse. no final tudo pode até virar rotina, mas naqueles segundos apenas elas sabem o que sentiram. não há literatura que descreva, não há bom roteiro que represente por imagens, não há imaginação que chegue exatamente ao ponto. e me pareceu casual o abraço. sabe quando duas pessoas que compartilharam um sentimento idêntico reagem como se tivessem sendo filmadas? os sentimentos extremos tornam-se casuais de repente. espetáculo, sei lá. porque fugindo da rotina, contados e recontados, voltam à rotina. sei lá. maluco isso. não era aquela cena que eu esperava. não era aquele tom, sei lá. também não sei o que eu “espetaculei”. não sei porque estou escrevendo sobre isso. odeio o julgamento sobre o sentimento dos outros e não é isso que estou fazendo aqui. é o contrário, na verdade. foi lá na semana retrasada que pensei nisso. cheguei em casa agora e a história voltou. é madrugada e eu já percebi que transformei isso aqui em blog pessoal. não era essa a idéia inicial. ainda penso nos textos bonitos que leio por aí.

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a lua fica aqui me olhando da janela. assisto televisão e a luz de fora me chama mais a atenção do que sei lá que personagens tentam me atrair na tela. estranha a sensação que eu tenho sempre tendendo para o drama. quero que seja diferente dessa vez e tento não dar ouvidos. pensar em trabalho, pensar em comida, pensar em qualquer coisa que não me leve pra bem perto dos meus sonhos. tenho medo de cair um tombo gigante. me olhar espatifada no chão como se o tempo não tivesse passado. já disse, não quero dramatizar por hoje. comecei um caderno em branco sem falar muitas baboseiras auto-destrutivas. comecei de um jeito diferente, sem cutucar a dor com acetona. sei que isso é clichê e que tudo isso que ando sentindo é de novo dor pronta rindo escancaradamente do espelho ou lá do alto de algum lugar muito alto. mas eu não tenho absoluta certeza de nada. então continuo sonhando. não sei se acredito ou duvido. não faço a menor idéia do que a intuição ou sei lá o que tá querendo me dizer. eu só sei que a sensação boa tá gritando para não ser esquecida por completo.

o bortolotto saiu do hospital e eu sorri aliviada. antes de ontem sonhei com ele.

no metrô vila madalena tem o texto do drummond que eu copiei aqui na outra semana. ficou lindo em tamanho maior. essas coisas de lugares e palavras bonitas e a lua enorme iluminando tudo e os jeitinhos que eu arrumo para me sentir próxima de quem eu quero são segundos de ar que me enchem de esperança. eu quero tanto que ela não vá embora.

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tem sempre o pensamento derrotista: não, não, não vai ser como você sonhou nos últimos dias.

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o tempo de uma bolha

ela já está quase desaparecendo. elas, as bolhas, nos dois pés. é esse o tempo?

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super bonder

estranho pensar nesses dias todos como antes. os feriados de final de ano parecem ocultar os dias como realmente são. a vida toda parando como se os sentimentos ficassem suspensos, no ar, na terra, na água, na cabeça, nos papéis, na tela do computador. se não há registro, não há dor? porque as pessoas somem e os bons autores deixam frases de descanso. ‘volto em janeiro’ ‘não estarei nos próximos dias’ ‘feliz isso, feliz aquilo, volto depois’. por inércia os dias passam e os sentimentos que não estão a fim de estacionar entram em choque dentro do corpo. não tem o colocar pra fora nessa época. não tem a dor maluca esperneando dentro de algum lugar que consegue escapar e sair em som bem alto pro lado de fora. não tem quem veja. não tem quem leia. não tem quem salve. estranhos os dias que antecedem um novo ano, que é apenas a troca dos dois últimos dígitos. números acrescentados. acaba na quinta e já é sexta, ora, puxa. estranho pegar um sentimento, colocar numa estante, dentro do armário ou dentro do baú e esperar a segunda-feira útil pra esperar algo ganhar forma. estranho questionar isso agora. tenho livros empilhados na cabeceira. arrumei as fotos no quadro misturadas aos textos na parede. joguei fora coisas antigas. achei o dia lindo quando olhei pela janela. consertei a mão do anjo que cuida da foto da minha vó, da saúde dos meus pais, da sorte dos meus irmãos, dos meus segredos e do pedido que eu fiz um pouco antes dele perder o pedaço da mão. acho que era dois mil e oito. eu continuo com o barulho dentro da cabeça em dois mil e dez. ele tem a mão de volta. 

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Dormir

dormir para esquecer

dormir para não pensar

dormir para não lembrar

dormir para não ligar

dormir para não escrever

dormir para não sentir falta

dormir para não estragar

dormir para não criar

dormir para sonhar.

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Preconceito

eu coloco livros que julgo melhores no lugar dos expostos pela livraria. hoje foi a vez de Crepúsculo ficar com o título escondido pelo de capa vermelha do Philip Roth. ano que vem preciso criar dinheiros para levá-lo pra casa.

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