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Archive for outubro \31\UTC 2009

adolescendo.

ligo o computador e penso que vou achar uma resposta, vou apertar o botão que liga, acessar meu email, blog, orkut, facebook, twitter, outros blogs e finalmente achar a resposta que eu procurei durante todo o dia na rua. é, eu acredito que as coisas podem acontecer quando você está na rua. é lá que nascem as histórias, as boas histórias, e é lá também que eu volto a sonhar enquanto minhas pernas me levam para o mesmo lugar. é o lugar referência de amor. mais ou menos isso que acontece quase todos os dias. eu amei desse jeito e de repente eu acho que pode acontecer de novo. pode acontecer de estarem todos distraídos e nem perceberem que eu tô sentindo de novo. enquanto tomava cerveja eu disse isso lá no bar. disse que é essa a minha força motora. aquela que me impulsiona a continuar e a procurar e a sorrir com o coração e os olhos e todos os dentes. eles às vezes não me cabem na boca. aliás essa sensação toda quase sempre não me cabe. vou colocando pra fora de algum jeito.

voltei a escrever como antes e isso me traz uma felicidade indescritível. é como se o mundo todo fosse possível de ser abraçado novamente, com a mesma força, com o mesmo sonho, com a mesma necessidade. quando digo que voltei não é necessariamente na qualidade. é muito mais do que isso. é escrever compulsivamente, é ficar obcecada por algo ou alguém e me jogar na intensidade, é contar e recontar mil vezes a mesma cena e sentir que ela nunca mais vai sair de dentro de mim. escrever, escrever e escrever como se cada palavra fosse ouvida por alguém, instantaneamente, com a possibilidade de ganhar asas e sair por aí voando no meio da realidade. eu pedi compulsivamente pela mesma coisa o dia inteiro. mas a coisa não ouviu, não sentiu, não aconteceu. a frustração é de praxe. e a espera parece a companheira mais fiel que uma pessoa pode ter. não te abandona nunca.

é engraçado que eu sempre acho que vai ser diferente. sempre, sempre, sempre. nunca é e ainda assim eu consigo deitar na cama e lembrar trocentas vezes da mesma cena. minha cabeça tem dessas coisas, gosta de me ver feliz.

tem aquela história do Leminski que não sabe bem o que o leva a escrever, mas olha as estrelas e vê palavras piscando pra ele.

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concluindo:

1) minha vida é feita de escolhas erradas. (eu já disse isso)

2) o resultado quase sempre me deixa sem dormir ou tendo pesadelos ou me colocando abaixo do lixo.

3) ainda assim são escolhas que eu tenho coragem de fazer.

4) o lado poliana quase sempre me toma e me faz acreditar que apesar de tudo, sempre apesar de tudo, eu consigo lembrar apenas da parte feliz.

5)  as pessoas podem até não correr, suar, ficar vermelha, falar besteira, chorar, cair, descobrir onde ele vai estar e ir atrás, mandar uma carta ou email ou mensagem cheia de amor, babar, secar, pagar pau, tentar ficar perto, flertar, trocar telefones, esbarrar o corpo, ter certeza que ele olhou diferente e não apenas percebeu a sua presença (o que também é muito bom mesmo parecendo pouco), esperar, esperar, esperar por uma mínima resposta. Elas podem não fazer nada disso, mas elas também podem muito bem ficar sem sentir o calor que sobe sei lá de onde, percorre a espinha toda, colore a imaginação por horas e faz a vida ficar quase leve quando num simples cumprimento ele segura o seu rosto/nuca/cabelo/pele e te beija na bochecha com a boca mesmo, sem essa de osso com osso/ar/vácuo.

1a.) ai, ai.

2a.) ai, ai.

3a.) ai, ai.

4a.) ai, ai.

5a.) ai, ai.

Ontem

(a parte publicável ou a parte boba ou a parte não-frágil):

sempre a mesma espera

é o que eu penso

enquanto

espero

novamente

…………………

quando chegar

finjo a não-espera

sorrio

olho pra baixo

sinto o suor

das mãos molhadas

o coração correndo

a cabeça criando

mais uma vez

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não, eu não ganhei.

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não sei o nome disso, mas no fim da tarde esse blog não funciona por aqui. é comum que eu não saiba o nome das coisas mesmo. quando vai chegando a noite a rede não me deixa entrar aqui de jeito nenhum e, claro, como é de costume nessa vida, é sempre no fim da tarde que quero escrever algo. agora, por exemplo, duas horas da tarde, não tenho muito o que dizer. ou melhor, tenho muito sim o que dizer, mas a essa hora o cérebro ainda tá esquentando. não consigo me completar. o que eu tenho a dizer fica entalado. é engraçado, eu poderia ficar aqui enrolando, enrolando, enrolando até ocupar umas vinte ou trinta linhas de tanta coisa que tá querendo sair, mas não tá sabendo como. poderia contar o fim de semana. poderia narrar os meus sonhos nas últimas noites. poderia até inventar uma riminha qualquer. engraçado… sabe, um monte de palavras se batendo pra ver quem sai primeiro? eu vejo assim: palavras praticamente ganhando vida, sorrindo, cantando, dando piruetas, sorrindo pra mim. a graça está aí: nos detalhes. e no ‘sorrindo pra mim’. e no espacinho que fica entre uma respiração e outra. na aleatoriedade dos assuntos e palavras e seqüências. estou lendo “o andar do bêbado“.   

(sim, o campeão voltou. feliz, feliz, feliz)

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meu avô.

bolas

essa foto me lembrou o meu avô. na verdade eu não conheci o meu avô, mas a foto me lembrou a história que meu pai e minha avó sempre contavam sobre o meu avô. ele trabalhou com carros, apostou em cavalinhos e ganhou e perdeu dinheiro num piscar de olhos. o que eles me contaram diversas vezes era sobre uma época em que ele pagava contas e recebia por trabalho prestado nas mais variadas formas. uma vez ele chegou em casa com um monte dessas bolas grandes de plástico. era o pagamento de um de seus clientes, apertado e sem dinheiro em espécie para cumprir o trato comercial. a casa ficou toda amontoada de bolas enormes e coloridas de plástico. a escola que meu pai estudou, quando não estava na rede pública, também era pagamento de dívida. assim eram as coisas lá no passado em que meu avô conheceu a minha avó num ponto de bonde. sim, um ponto de bonde. as pessoas andavam em bondes e se paqueravam por dias a fio se olhando do ponto de bonde e da vendinha do outro lado da rua. meu avô era giuseppe, chegou ao brasil e se transformou em josé. o zé gola. isso é brasil. a foto das bolas, que eu acho que tão mais para bexigas, é daqui.

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salva.

mais uma noite feliz.

tem alguma coisa ali que eu ainda não consegui dar nome.

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(des)afogamento

Sabe quando você mergulha a cabeça no mar ou na piscina ou até mesmo na banheira e tenta ficar o máximo possível submersa? Então você sente o coração acelerando, começa a pensar no tempo que já está ali embaixo, olha o relógio numa mão, se tiver cronometrando, aperta a banheira ou a borda ou a outra pessoa que te dá suporte no meio do mar com a outra mão, bagunça o cabelo para não pensar no tempo, observa as bolhinhas de oxigênio, começa a sentir uma certa aflição, tenta agüentar mais uns segundos, se mexe, mexe a água, quando de repente, num impulso impensado, sem poder controlar, sequer pensa em controlar, o ar falta completamente, e você levanta a cabeça, coloca o nariz para fora, coloca a boca para fora, abre os olhos rapidamente, tira o cabelo do olho, quase berra sem voz, estremece o corpo todo, ouve o barulho da água, do impulso, do corpo todo. Aí você resgata a vida. Sabe? Então, exatamente isso que acontece. As coisas acontecem, você sente o afogamento, os dias atropelam, as notícias chegam, você sente o ar faltar, os medos interrompem o sono e os sonhos, você sabe que agüenta mais uns segundos. Aí você se apaixona, e resgata a vida.

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