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Archive for setembro \29\UTC 2009

Autores e Raí.

Ontem fui ao lançamento do livro do Nando Reis: Meu pequeno São-Paulino. Texto dele e ilustrações de Rodrigo Andrade. Uma senhorinha, dessas baixinhas, magrinhas e cabelo branco, carregava uma sacola com pelos menos seis exemplares. Filhos, netos, marido, talvez. Bonitinha, ela ficou na fila e colheu os autógrafos todos. O Raí também apareceu e eu lembrei daqueles gritos possíveis no meio da torcida: ih, fodeu, o Raí apareceu. Fotógrafos e flashes e microfones e câmeras e mulheres e canetas cercaram um dos caras mais bonitos que eu já vi de perto. Não, não, um não, O mais lindo que eu já vi de perto. Impressionante! O cara é craque, é tricolor e ainda é bonito. Impressionante, repito! Uma das ilustrações do livro, e que também ficou exposta ao redor dos autores, era exatamente do Raí cobrando uma das faltas mais bonitas que o Nando viu na vida, como descreveu no livro. E, claro, teve fotinho em frente à pintura. Essa aí de cima eu peguei do globoesporte.com. Com o Raí nós não perdíamos do Corinthians, pensei e quis falar alto ali na hora. Tinham alguns jornalistas que eu sempre vejo por aí. Tinha o diretor de marketing do São Paulo, tinham as filhas do Nando, a Sophia, da MTV, perdida procurando o pai, a Zoé, coisa mais linda de cabelo vermelho e camiseta do tricolor. Tinha o livro que eu acabei comprando só porque eu me empolguei e achei aquilo tudo lindo e o orgulho todo me enchendo de alegria por apenas torcer para o time certo. Incontáveis são os dias que eu fui feliz apenas (como se fosse pouco) por isso. Tinha o CQC também, o Oscar Filho que é do meu tamanho ou apenas um ou dois dedos mais baixo. Tinha o produtor que mostrava para ele quem era quem no rol tricolor, quem deveria ser entrevistado e o que poderiam perguntar. Tinha o Milton Cruz, que eu acho o máximo. Tinha o Juca Pacheco, que eu acho o máximo, idem. Quis falar pra ele que ele é foda porque desde que eu me conheço por quase jornalista, quando eu fui lá fazer o curso de jornalismo esportivo com o Elias Awad, até entrar na faculdade e me formar, ele esteve ali, na assessoria tricolor. Bem, muito bem. E novo. E cada vez melhor. E aí eu vi o Raí dando autógrafos, tirando fotos, sendo admirado, sorrindo, sempre sorrindo, chegando no Juca, dando o tapinha nas costas, cumprimentando-o. Sabe, o Raí, te estendendo a mão e sorrindo? Eu queria dizer isso pra ele. Tinha um vinho branco, taças e água servidos pelo garçom. Tinha a frase perfeita dentro do livro que eu só vi no caminho de volta quando saí de lá: nasci branco, com os olhos pretos e o cabelo vermelho, geneticamente são paulino. Tinha a foto das taças, todas elas, libertadores, libertadores, libertadores, mundial, mundial, mundial, brasileiros, paulistas. Tinha o coração explodindo. Tinha a fisionomia do Nando cem por cento mais feliz e cheia de prazer do que no dia que o vi no pocket show do último CD. Mais ou menos assim: música = trabalho + prazer; este livro = prazer + prazer; São Paulo Futebol Clube = prazer + prazer + prazer + prazer e assim infinitamente. Ele diz no livro que descobriu que não é exatamente por futebol que é apaixonado, mas sim pelo São Paulo. Lindo isso. Tinha, então, eu. Finalmente, eu. Indo pra lá e pra cá. Olhando e olhando e olhando. Como eu gosto de ser: feliz.

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existindo.

mentalmente eu escrevi um texto lindo ontem enquanto eles tocavam.  incrível, mas era um texto bonito sem ser triste. pelo contrário, era felicidade plena o que eu sentia. engraçado quando isso acontece porque sou muito mais aquela que curte uma foto bem triste, um filme bem triste e, claro, um texto bem triste. não foi assim ontem. mas as palavras se escafederam. não me sobrou nadinha de nada. eu podia culpar a amnésia alcoólica, mas não acredito muito nisso.

o show foi lindo, como de costume.

taí uma das sensações que eu gosto nessa vida. cantar bem alto quase acertando as letras por completo com uma cerveja na mão a melhor amiga de todas dançando e pulando e sorrindo do lado eles tocando e o mundo parecendo não ter vírgulas o mundo parecendo ter o tamanho exato de uma sala escura com luzes piscando por todos os lados. sim, o mundo todo caberia ali. e eu dizendo pro cara do lado, ai, eu adoro quando eles fazem isso. e eles cantando a musiquinha que virou a musiquinha do comercial. don’t worry, be happy… e assobiando. e a felicidade tomando conta de todos os meus poros. eu sou uma menina muito muito muito pequena quando estou ali. uma menina, como antes. os sonhos todos parecendo vivos.

são eles: seu bené e os poetas da malandragem. todas as sextas no teatro mars. nas últimas quintas do mês, no na mata café.

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indo ou vindo?

entrou na cabine do piloto e perguntou sobre o destino que chegariam em poucas horas. é bonito, muitas pessoas caminham pelas ruas, o céu é amarelado ou mais para o cinza? desembestou a falar sem dar tempo para que o piloto pensasse se simpatizava ou não com a menina que lhe interrompia os pensamentos, longes naquele momento. simpatizou, e muito, com o sorriso brilhante da garota. foi o que deu para notar pelo ritmo que a conversa tomou. perguntas, respostas, mais perguntas, outras respostas. a conversa invadiu a cabine e nem um nem outro se deu conta que estavam a incontáveis metros de altura. sobrevoando, passando por cabeças e pensamentos e casas, se misturando com o branco das nuvens. você nunca foi para lá? perguntou ele. não, não, nunca saí das asas da minha mãe. o máximo que cheguei foi à lua numa dessas viagens solitárias acompanhada da pessoa que a gente escolhe para guiar os pensamentos e as vontades e os desejos em determinado período da vida. com ele eu podia estar até mesmo entre os índios em uma cabana. então, é amor e uma cabana e você já fica contente? ele estranhou. estranha era a pergunta que ela ouvia. a expressão que nem a sua avó lembrava mais. amor e uma cabana, amor e uma cabana, amor e uma cabana, repetia misturando inconformidade, ironia, risos, medos. na verdade, quando eu me deitava e ficava fitando o teto com os olhos brilhando e o coração explodindo de amor e a cabeça repetindo as últimas cenas, eu não pensava muito nisso não. em amor e uma cabana. eu pensava nas mãos dele, na boca, no braço machucado. eu saía do chão e flutuava pelo meu quarto. não tinha cabana nenhuma no meu pensamento. nem casa. nem filhos. nem a casa com a cerquinha branca e os cachorros cagando no chão. eu não pensava mesmo, as sensações me tomavam por completo. não tinha tempo para formular nada. o amor é que me tomava. mas você não está mais no seu quarto, aqui nem tem um teto branco e ele não parece ter vindo com você. ninguém que tivesse você ao lado num avião desses a deixaria escapar pelos corredores e chegar até a cabine do piloto. se fosse eu, te amarraria na poltrona com o cinto de segurança, só para deixar o seu sorriso me contagiar. sabia que você tem um sorriso que contagia? é, ele tem algo diferente que faz o outro também se sentir feliz. você está feliz agora, não está? sim. feliz, feliz, feliz. quando eu chegar lá quero pisar bem firme, olhar para as pessoas, encarar o céu gigante, sentir o cheiro novo e me perder outra vez nos olhos de um amor bonito.

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Associações.

“Antônia era uma garotinha quando eu cheguei aqui, parada na frente de casa e olhando o seu cata-vento girar. Talvez tenha sido isso, a vontade de ficar neste lugar, que me fez ver o bar e a placa Precisa-se. Minha irmã tinha um cata-vento, também vermelho e amarelo, e eu sabia que minha filha teria um, caso eu tivesse escolhido ter uma filha, então me pareceu interessante que as coisas fossem ligadas por um cata-vento, mas só por um cata-vento, como algo que existe apenas para ver a passagem das coisas.” (Sinuca embaixo d’água. Carol Bensimon. pág. 59) 

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lendo, lendo, lendo e trabalhando e comendo e dormindo nos intervalos. amar está em falta. amor sobrando. os homens interessantes ou morreram ou nem nasceram ou estão trancados em casa. com alguns livros, de repente.

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consumo, consumo, consumo.

o esforço para preencher o vazio interior passou do campo da alimentação para o campo do consumismo.

vontade de comprar e gastar e ocupar os espaços.

comida, comida, comida.

consumo, consumo, consumo.

e o vazio toma dimensões praticamente irreparáveis.

 nem vestidos, bolsas, brincos, óculos e jeans.

nem temakis, batatas-fritas, tomates, pães e camarões.

o vazio me engole.

o vazio me consome.

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madruga.

cheguei em casa. são duas e meia da manhã e eu estou pensando em todas as coisas ao mesmo tempo. quando eu saio e volto cedo, com um pouco de álcool na cabeça, mas não muito, fico num estado que todos deviam experimentar: nem medo, nem pressa, nem amor explodindo. apenas a vida. não é apenas. é coisa demais, na verdade. e um orgulho por estar aqui ainda. tentando, vivendo, respirando, amando, tentando, experimentando. fui num aniversário e vi as pessoas dançando e lembrei dos meus amigos cantando no teatro mars. e me deu uma vontade imensa de pegar um táxi e ir pro teatro mars, vê-los. babar um pouquinho. acreditar nos sonhos, um pouquinho. não fui. estou em casa. pensei nele por uns segundos também. é o tipo de coisa que não tem explicação. não penso mais. não lembro mais. não sonho mais. não imagino a volta mais. nada. é o branco e o vazio. mas ainda assim penso em momentos mais inesperados como agora. não tem explicação. e não importa muito. não há movimento mesmo. é só um flash, uma lembrança, um raio de pensamento. só. apenas vida. vida pra caralho. amanhã eu viajo cedo. e os dias têm sido mais fáceis que as noites.

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A Marília.

Assistindo o documentário do Eduardo Coutinho, Jogo de Cena, na GNT, pela segunda vez, me lembrei de um dia triste. No filme, a Marília Pêra interpreta uma das ‘entrevistadas’ e depois fala da questão do choro em uma cena, com uma câmera apontando e tal. Ela disse que os atores modernos abusam das lágrimas, e que a televisão, principalmente, pede muitas lágrimas em uma cena de choro. Mas ela prefere o choro contido. ‘quando o sentimento é real, de dor mesmo, a pessoa não quer mostrá-lo e fica o tempo todo segurando, secando com os dedos nos cantos dos olhos’, ela disse, mais ou menos com essas palavras. E é também como ela prefere atuar, com poucas lágrimas. Aí eu me lembrei de um dia triste. Eu tentei esconder e abafar e segurar com todas as forças aquelas lágrimas. Eu queria muito chorar naquele dia, dentro do carro. E chorei.

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