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Archive for agosto \31\UTC 2009

não se volta como antes. mesmo quando pensamos em ser como antes, a volta trás as alterações de tempo e medos e privações. são as consequências que vão nos modelando ou os atos em si, independentes dos resultados? tudo vai mudando a cada segundo apesar da certeza cada vez mais absoluta de que ninguém muda. é papinho de essência. mas é fato concluído racionalmente também. há seriedade em alguns devaneios. vou andando pelos dias atropelando o que é, manipulando o cérebro e aprendendo a lidar com a falta do que era esperado, sonhado, imaginado, sei lá, para os quase vinte e cinco. quase vinte e cinco e eu nunca pensei que seria isso. parece desprezo, não sei se é. como disse, vou atropelando o racional e o emocional. ao mesmo tempo. porque eu não sei direito o que sobra.

jogamos sinuca a noite toda. e a gente decidiu que vai jogar todo final de semana. promessas de uma noite regada a chopp, caipirinha, risos e conversinhas. ganhei quatro de seis partidas. ‘além de um rostinho bonito, ainda joga bem’, ele me disse. jogar bem é bem mais legal que ter um rostinho bonito. ganhar um chopp em uma partida apostada. matar três bolas seguidas. a sensação é boa. saudade da adolescência quase atleta. do futebol e do vôlei e das várias partidas de sinuca. e truco. e de nadar e nadar no calor maravilhoso da casa antiga.

na fila, trocamos olhares antes de entrar três minutos atrasadas para não pagar a entrada. sempre assim. não se deve pensar no que não deu certo. mudamos de assunto. lá dentro o cara da fila esbarrou em mim e passou a mão pelo meu braço, desceu pelo ombro, encostou no cotovelo e quase segurou a minha mão. foi para a outra mesa olhando pra trás. baixei a cabeça. o aniversariante nem tinha chegado. logo veio o parabéns e uma taça de champanhe. amo champanhe. bebemos feliz e brindamos e dominamos a mesa de sinuca. três ou quatro bolas seguidas? ganhamos mais do que perdemos. o cara da fila reapareceu mais vezes. e me olhou no fundo dos olhos. eu quase me joguei. as peças andam enferrujadas.

na Juventus, o Diego fez dois golaços. duas bolas seguidas, pra dentro. há sempre algo em comum. coloquei a bunda no sofá e ele, a bola pra dentro. há sempre a sorte conspirando, e iludindo, ao meu favor.

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Atividade de.

coçar a cabeça, bagunçar o cabelo, resgatar uma idéia, juntar farinha, manteiga, leite, ovos, chocolate e bater um bolo. lembrar de não esquecer o fermento.

Atividade com.

as mãos, os pés, um músculo puxando o outro, animando a cintura, remexendo o quadril, pulando bem alto até os pés baterem na bunda. dobre os joelhos e estique só para escutar o estalo que faz.

Atividade na.

rua são caetano. encher os olhos com o branco dos vestidos, pensar em bolos recheados de morango e chantili e glacê rosa, reunir buquê, véu, grinalda, tomara-que-caia, metros e metros de pano em um só desenho na cabeça. inventar um marido com olhos brilhando à espera no altar.

Atividade em.

salvador, na bahia, entre os baianos, pulando feito pipoca, comendo acarajé, seguindo o mar com os olhos, sorrindo por dentro, por fora e pelas extremidades quentes. torrando, fervendo, vivendo.

Atividade sem.

cobertura securitária de sanidade mental. de pé, acordada, sentada, vendo a televisão, deitada, dormindo, alucinando, pensando em todas as coisas ao mesmo tempo. coisas suas, coisas dela, coisas deles, coisa dele. coisas.

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Às vezes eu penso que se ficar a noite toda acordada vou conseguir pegar o passo errado pelo rabo. E se eu não fechar os olhos e a noite realmente passar, ilesa? Deito depois de um dia todo deitada e sinto as costas doendo. Sozinha eu sinto a merda da solidão e ligo o rádio como não fazia desde os catorze ou quinze anos. O silêncio para dormir uma noite inteira em paz é facilmente trocado pela tentativa quase consciente de retorno. Não é tão simples assim. Ligo o som e revejo umas fotos antigas. O rosto é praticamente outro, eu penso. Jovem, esperto, cheio de fé. Fé é uma palavra de significado difícil que eu já discuti no divã/bar/augusta essa semana. Falei, ouvi e concordamos. E a minha vó voltou com uma força enorme quando eu pisquei os olhos e lembrei de algo importante que me aconteceu. Incrível, não é brincadeira não, isso sim é divã. Ou mais do que isso. Porque há a troca. Eu deito ainda com as dores nas costas e penso no que já não é mais possível. Também falei sobre isso essa semana. Num outro dia. Se eu sei o que é nunca, o seguir em frente não deveria ser um pouco mais fácil? Menos memória e mais espaço se preenchendo? Deveria. Saber o que é nunca e o que é possível/porta aberta/pontinha de esperança me parecia importantíssimo. Foi-se a lógica prevista. Se eu ficar a noite interia olhando pra fora eu pego o erro pelo rabo? Se eu encarar a noite feito mulher eu boto a menininha pra dormir? Penso nos meus pedidos de desculpas. Não estou achando o controle das ações e próximas ações e ações conseqüentes.

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naturalmente vai acontecendo. você apenas nota a falta de controle, arbítrio. uma palavra a menos, uma palavra a mais, não é exatamente isso que pauta os acontecimentos seguintes, eles vão acontecendo.  ou você é a da vez ou não é.

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Era isso…

o que eu sempre quis dizer:

Por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada. Toma esse texto, o único lugar seguro e eterno pra gente. (Tati Bernardi)

O texto todo aqui.

Saudade do tempo que eu escrevia daquele jeito: explodindo de amor.

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Salvação.

Palavras soltas num velho caderno não salvam. A literatura não salva. A música não salva. O cinema, os filmes, a televisão, não salvam. A mensagem desesperada no celular recorrendo a única referência de amor não-familiar não salva. O futebol não salva. Nem o Rogério Ceni, nem o muso, nem o Jean salvam. Andar pelas ruas não salva. Abraçar bem forte não salva. Virar cinco, seis copos de cerveja, não salva. Sonhar com a minha vó não salva. Beijar caras bonitos não salva. Tomar sol, olhar o mar, respirar ar puro não salva. Ter dinheiro sobrando na conta não salva. Comer temaki de salmão sem maionese não salva. Ficar sem escrever no blog não salva. Escrever compulsivamente não salva. Quase nada faz sentido. O desespero quase toma conta. E alguma coisa, de algum lugar, pede, suplica, implora, chora por salvação. Com os joelhos latejando, a cabeça pirando e o coração parando, o quase é que realmente salva. O quase me diz que ainda tem alguma coisa. O quase estar lá embaixo para chegar a um ponto do líder. O quase conseguir escrever um bom livro. O quase amor retribuído num dia importante da vida dele que eu estava lá pra criticar o filho da puta que não entendeu a importância do trabalho. O quase desespero de um pesadelo destruído pela luz da janela quando finalmente eu abro os olhos. O quase pensei que era impossível sendo renovado de esperança porque um autor de repente disse tudo e mais um pouco em páginas que podem ser eternas dentro de um livro. O quase fui feliz pra caralho pra sempre sendo feliz pra caralho por três, quatro dias ou cinco minutos percebidos com lucidez apesar do encanto todo. O quase não aguentei…ainda estou aqui.

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Angústia.

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