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Archive for julho \31\UTC 2009

http://pretty-as-a-picture.deviantart.com/art/dreamers-127185844

simplicidade 1: qualidade do que é simples, do que não apresenta dificuldade ou obstáculo.

simplicidade 2: caráter próprio, não modificado por elementos estranhos.

simplicidade 3: ingenuidade, desafetação.

simplicidade: te abraçar, te beijar, de novo.

 

(foto: silencio. no hay banda. lu, você me recomendou o site e eu vicei. tenho vontade de copiar e colar aqui todas as fotos. são lindas.)

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“Um gesto não ensaiado, um reflexo solto. São instantes espontâneos e fugazes que, registrados, tornam-se preciosos e vitais. São instantes de liberdade. A valorização do presente. E o cinema é a arte do presente.”

(Selton Mello citando alguém foda no programa Bastidores, do Multishow)

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O silêncio me deixa inquieta desde criança. Mas, devo dizer que me refiro àquele silêncio entre duas pessoas. Eu sempre via meu pai e minha mãe sentados nos lados opostos do sofá. É esse silêncio do buraco da vida que digo, eu assim compreendia: Era buraco do amor.

Aí, eu quando pequena era falastrona, de pijaminha sentava ali no meio e ficava tagarelando minha meninice. Eu não gostava daquele não falar cheio de coisas não escritas. Parecia tristeza imóvel.

Então eu escrevia cartinhas nas folhas mais bonitas de papel de carta de coleção. Foi assim que tudo começou, eu queria escrever um destino que ficava no branco do silêncio. Outro dia, fuçando nas memórias da vida, encontrei-as guardadas, todas, e a letrinha de menina, tão simples de dizer.

Eu fui crescendo e escrevendo pelas paredes, pelos corpos e suas entranhas, sempre com tanto ódio do não dizer. E assim me fiz transparente de idéias, eu dizia até as mentiras. Nada eu deixava à interpretação da mudez, nada se distanciaria pelo não dito. Assim, se destino, era completo e real, sem margem de interpretações. Eu, muito humana, escrevia as minhas muitas linhas, nada era relegado ao branco.

Não que o silêncio fosse algo de julgamento. O silêncio era a beleza do amanhecer nos rochedos. Quando se observa o sol e se ouve o mar contra a encosta, e entre o próximo movimento silenciar. Aquela quietude do mar, aquele vácuo de plenitude, até a próxima onda bater e… Infinito. Isso, sim, era silêncio. Era antes do buraco da vida, era a criação muda do mundo.

Mas esse silêncio das palavras que ficam guardadas nas cabeças e nas gargantas estreitas me incomodava. Eu preenchia de mim toda a lacuna covarde, nos espaços sem fala quando os olhares se evitavam e quando os corpos se repeliam, eu dizia. Mais que dizer, eu sentia e indagava. Eu nunca deixaria a vida sair pela porta cabisbaixa e muda, sem saber a verdade.

Nessa ânsia eu me feri demais, eu me entreguei bruta e entendi o porquê da retração. Eu compreendia que o silêncio era um instrumento errado para se manter o pouco e não se ter o tudo. Era calada a refeição, todos ao redor, quietos, respeitando algo de uma vida menor, precisa como relógio de criado-mudo. Era um despertar marcado e frio no silêncio da manhã.

Mas, esse entendimento sobre o silenciar não me deixou muda. Era-me mais violência sentir e calar que o desprezo. Foi assim que eu amei, cheia de palavras, eu disse, sentindo-as transbordando da boca quando encontrava a sua. E o seu silêncio de costas viradas doía uma eternidade, e mesmo fraca eu dizia, mesmo sabendo que, se resposta, eu poderia desfalecer em alma. Eu ouvi, eu questionei, eu fui até o fim, meu amor, até tudo que eu poderia ouvir.

Eu respeitei o seu silêncio, eu senti o seu medo, meu amor, e por isso, e por amar tanto, e por sentir tanto, por ter esse arranhado no peito, eu vociferei todas as palavras. E por querer tanto me derramar em vida, e por rejeitar esse silêncio de cadafalso sob nossos pés, que eu me pintei de guerra e invadi o seu comedido e acomodado viver.

Eu quebrei o gelo do silêncio da vida resignada e preservada, da existência orgulhosa. Eu fiquei nua, toda coberta de palavras, como um pergaminho ressecado e antigo de uma língua morta da civilização. Eu me rasguei em pedaços comestíveis e me misturei ao seu desjejum para que você compreendesse a verdade do amor, o abismo que há no branco. “Diga, diga” eu implorei sem pudor.

Mas, você preferiu dar um aceno distante para a vida, quieto e mudo. Eu entendia a linguagem dos seus olhos. Mas jamais, nem se me fizesse morta para olhá-lo do além, entenderia o quieto e triste silêncio de seu coração.

Eu digo, escrevo, mais uma vez.

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comida pra quem quer comida.

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dia da vó:

vó na janelate amo, vó.

saudade imensurável.

não tem medida a falta que me faz.

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tenho duas opções quando chego até aqui: escrever a verdade, pura e dura, ou inventar possibilidades desde a primeira palavra até o ponto final, lá embaixo. a dúvida vem sempre junto. me entregar ou me poupar? misturo tudo e faço terapia de alguma forma. deve ser assim também quando a psicóloga é daquelas que não dão um pio. não gosto dessas.

então eu chego até aqui e deixo as palavras falarem sozinhas. sem muita beleza, porque quando quero o texto bonito preciso de algumas horas encarando a página em branco. e nem sempre o resultado é beleza. quase nunca.

dou nomes ao que eu não sei que cheiro tem, que resposta tem, que fome do que tem. Maria não dormiu direito na última noite. imagino a Maria se revirando numa cama enorme. porque na minha cabeça é sempre necessária essa contradição: uma cama enorme com edredons brancos, travesseiros, ursos, cachorros de pelúcia e Maria se sentindo, ainda assim, desconfortável. esse pulo do que era pra ser, mas nunca é, sempre me domina. é a falta de explicação que está, e ficará, para sempre implícita em tudo que eu falo, escrevo, penso, digo. um silêncio dominante. o xiszão contra o xiszinho. me lembrou as aulas da Adriana no terceiro colegial. eu lá na sala de aula achando que aprendia algo de fato importante para uma vida. essa parte eu inventei. nunca acreditei que estava aprendendo algo importante nem mesmo naquela época. longe disso.

e a Maria não dormiu bem essa noite porque viu as duas pernas dela presas numa lama gigante no escuro do quarto. isso pode ser uma metáfora ou uma mera imagem que eu criei pra dizer que ela não consegue tirar os dois pés de uma vida que não aconteceu. também não é uma vida assim com “v” maiúsculo. mas é uma parte dela que poderia somar e somar e somar e formar um algo maior.

têm dias que Maria não pensa em nada disso. Maria dá gargalhadas por dias seguidos como se estivesse vivendo a melhor fase de sua vida. Maria sabe que não está, mas todos os outros têm certeza que sim. Maria sorri lindamente quando pessoas estão ao seu lado e tiram fotos e ouvem música alta e cantam e dançam e voltam ao passado com as mãos no joelho rebolando a bunda ou coreografando a dança do sanduíche. a imagem que eu vejo tem até som nessa hora. a Maria lá assistindo as pessoas descerem até o chão descordenadamente. os olhos de Maria são lindos e brilham muito nessas horas.

antes de deitar pra dormir, Maria lembrou do que nunca nunca nunca é recomendado lembrar. mesmo sem chorar, Maria sentiu que o peito podia explodir a qualquer momento. pensou em algumas pessoas que a podiam salvar àquela hora da madrugada, mas preferiu não incomodar. Maria às vezes tenta sufocar tudo dentro dela e nunca é capaz de sufocar por tempo suficiente. acaba falando por algum dos poros a algum dos ouvidos que ela sabe poder contar, sem incomodar. Maria queria uma resposta para acalmar o coração ou fazê-lo pular daquele jeito ainda. mesmo sem ilusões de respostas positivas, Maria queria apenas entender porque pessoas ainda mentem, por que, diabos, pessoas usam palavras reais para contar mentiras? por que eles dizem que virão se não são capazes nem mesmo de uma conversa à distância? por que eles dizem que você é importante se você não é? por que dizem que adoram os seus telefonemas se mal os atende?

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e isso: (dica 2)

MINHA GERAÇÃO. Por Martha Nowill (Vermelho Russo)

Minha geração sofre por amor. Minha geração senta na mesa do bar e fala mal do amor. Minha geração diz que o outro tem medo de amar, reclama porque o outro não se entrega e foge do vínculo amoroso. Minha geração não conhece o que é intimidade, e se tem a oportunidade de conhecer, sai correndo na primeira deixa dizendo solenemente: “Mas também, não era para ser…”. Minha geração é estudada, conectada, informada, não dá ponto sem nó, nem se enrosca a toa. Ela se orgulha das vitórias individuais e da luta contra a osmose amorosa. Minha geração é tão independente e emancipada, que descarta qualquer possibilidade de atrasar um minuto de sua vida por conta do outro. Mas a minha geração é o que tenho e o lugar que tento honesta e arduamente fazer parte, porque afinal, eu também pertenço à minha geração e assim não poderia deixar de ser. Sim, eu pertenço à minha geração, embora cometa gafes dantescas que pessoas da minha geração não costumam cometer. Mas a minha geração me dá um desconto, porque também a exceção, faz o charme da regra. Faz parte da minha geração falar mal de si mesma e incitar um saudosismo falso, inútil, mas muito útil como consolo. Nós que dissecamos a nós mesmos e nossas próprias formas de nos relacionarmos. Nós que como eu, falamos mal de nossa geração, por pura inveja dos que em nossa geração, sobrevivem harmoniosamente. Nossa geração sofre por amor, vinte e nove vezes ao ano, mas nossa geração não costuma amar, porque os terrenos onde semeamos, estão praticamente estéreis. É, minha geração sofre mais por amor, do que ama de fato. Ela insiste nessa ideia inventada por alguma outra geração muito anterior a ela ou talvez por Deus, vai saber. E eu tenho orgulho de que ela seja assim, porque minha geração sofre por algo que mal conhece e ainda assim, insiste em tentar conhecer.

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