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Archive for junho \30\UTC 2009

passeava os olhos pelas minhas coisas e pensava exatamente o que tinha que pensar. sim, tem coisas na vida que devem ser pensadas como o outro imaginou. só para parecer de verdade. para dar graça. para inundar de amor. olhava os livros na estante, reparava na desordem da minha ordem, cada título, cada página que eu devia ter lido e me identificado e me projetado. é assim também que acontece com a maioria dos livros que guardamos. ou é identificação ou é projeção. sempre temperado pela beleza toda que uma palavra só pode ter. elas todas misturadas, então, é maravilhoso. tão encantador quanto o cinema. eu sinto assim. e ele deve ter notado. bastou um pouquinho da atenção que dedicou enquanto esbarrava na minha cama. a cama, os livros, a televisão sem antena, as gavetas do pequeno móvel não fechadas por completo, o tapetinho da vovó, o pôster na porta, a vista lá de cima e ele por ali, sentindo tudo junto. é assim que acontece também, sentimos tudo junto e misturado. um decodificador potente ainda não foi descoberto. ou inventado. em silêncio, ele me olhou mais uma vez nos olhos. mais uma vez depois de anos. mais uma vez. ainda que fosse a única vez do resto da vida.  ainda assim os olhos conseguiram brilhar encantados.

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dá dor de barriga só de pensar. e é sempre assim. sempre sempre. um dia tem que mudar, tem, entende? porque cansa e dói e dói mais ainda quando é de novo. porque soma-se tudo. dá medo também só de pensar. de imaginar tudo igual. não sei se não mereço. penso que mereço sim. e me culpo. mas não há penitência. só há medo. e desespero. mesmo se eu pudesse não conseguiria gritar. e gritar é preciso. sei disso. alguma coisa aprende-se com a merda toda. lambuza-se e aprende-se. mas não muda. não há mudança alguma. só mais dor. e medo. sentimentos pavorosos, eu sei. como se fosse, só, apenas. putaqueopariu, é só o que eu penso. e repito. quando acordo tento lembrar alguma palavra bizarra. algo imaginado que não me traz o nome à cabeça. nome às coisas. não há. não consigo. ei, eu não consigo. dá pra entender? não consigo mudar nada nada nada. tenho medo de ficar sentada esperando. de não poder mais me mexer. perder até os movimentos. os impulsos. tem uma merda gigante me corroendo por dentro. e por fora. e por todos os lados. essa porra toda. caralho. só penso nisso. caralho. putaqueopariu. viu, não quero escorrer de novo pelo buraquinho lá embaixo. aqui embaixo. tá aqui pertinho. um vão filhodaputa que me suga. vai puxando e me ferrando toda. por TODOS os lados. tenho medo. repito. sentimentos pavorosos. queria um pinguinho de verdade só. uma gota seria capaz de preencher completamente.

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o pior das coisas não darem certo é ter que ficar provando pros outros que você tava certa apesar de não ter conseguido. eu nunca dei a mínima pro que os outros pensam ou julgam ou qualquer merda que venha da análise imbecil de alguém que está só no camarote zicando. mas sei lá. as pessoas provocam. acontece propositalmente delas ficarem em cima de mim feito urubu. às vezes eu penso que a culpa é minha, por falar demais. mas depois eu penso que a culpa é delas mesmas que ficam ali deixando de viver pra julgar a minha vida. me deixem. liberdade é algo que existe pra ser explorada. não me encham. canso só de pensar em explicações em provações em aprovações. foda-se se você acha errado. foda-se. não julgo assim. não vejo assim. não sou assim. cansa. é um cansaço que pode quase te fazer explodir. e se recolher. e adotar a bolha de fato. morar lá e deixar o mundo de fora. nem ligo se são muitos contra um. nem ligo. nem penso. um dia algo pode mudar. ou não. posso não conseguir pra sempre. e aí? dane-se. acontece. ninguém nunca disse que é porque é e é. não há lógica. não há resultado lógico. a vida acontece. o amor acontece. a reciprocidade deixa de acontecer. e daí? foda-se. é o que eu penso. quero tentar e ninguém vai mudar o que eu sinto apontando o dedo e fazendo cara de sabe tudo. desculpa. ainda não é assim pra mim. queria poder mudar isso tudo. queria sentir de novo a leveza no sentimento todo. deixar a dor pros urubus. mas não vai. tem hora que a coisa emperra. ok. vou continuar tentando. e amando. ele mesmo. outro. mais outro. ele de novo. sei lá. tanto faz. os urubus vão continuar ali. isso sim é fato imutável. dane-se. e se eu me engano às vezes tem uma obsessão aí, entende? não é totalmente ingênuo, acredite. têm sensações que valem mesmo sendo mentiras. acredite também. é assim pra mim. a história pode durar pouco, mas aconteceu dentro de mim e é isso que importa. claro que poderia ser melhor. mas não é. nunca é.

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porque eu gosto de sentar ali e ficar conversando com você a tarde toda. a gente fala, fala, fala e a cerveja não acaba. às duas horas, sentadas na augusta, parece que não temos problemas. que somos livres e feitas apenas de amor. e de amor viveremos e de amor morreremos e dinheiro não faz a menor diferença no cálculo da felicidade. mesmo porque, felicidade não tem cálculo. felicidade é o segundo que ele manda uma mensagem enquanto brigamos com a merda da imaginação antes de dormir. felicidade é tomar garrafas de cerveja e falar coisas que se completam como se fossem verdades absolutas. felicidade é ver pessoas olhando nos olhos sem medo de mostrar o que tem lá dentro. e o copo continua sendo abastecido pelo garçom simpático. e a merda da carência continua sendo abastecida pela cerveja. e a noite vai caindo sem a gente pegar o telefone e estragar tudo pela trigésima vez. às vezes acontece de existir algum controle. fingir com um certo nível de álcool na cabeça é um pouco mais difícil, confesso. mas com você nem preciso mentir. você não vai me olhar com a cara do meu pai e me repreender. muito menos vai me olhar com a cara do meu irmão que me acha a mais infantil, carente, sem ambição, idiota, metida e ligada apenas em coisas que não tem importância. o amor tem importância pra você também. porque realmente não importa se ele tem o melhor carro do mundo, a gente mal sabe os nomes e as marcas e a quantidade de informações que pode existir em um carro. é porque a gente lê clarice. e é porque a gente quer mesmo sentir o estalo. não adianta vir com amorzinho requentado. tem que ferver ou nem precisa vir. sei lá. não faz todo sentido do mundo o que a gente fala. ou melhor: faz TODO o sentido do mundo. a gente sente, pô. não é só imaginação. só uma grande pitada dela. essencial, eu diria. e as férias vão seguindo. p-e-r-f-e-i-t-a-s! apesar da escassez de grana. e de otras cositas que ninguém entende mesmo. só você. e algumas poucas outras. que estão fazendo falta, aliás. preciso disso. obrigada.

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recomendo:

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daqui: silencio. no hai banda.

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Uma garrafa de cerveja é a medida para me deixar apaixonada. Não sou fraca para o álcool, sou fraca para o amor. Não viro o copo, tomo palavras, viro poeta. Não sei a verdade do que acontece, mas posso ler os sentimentos que se afugentam ao encontrar a consciência. Isso é uma técnica e não a pura verdade.

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fora de área.

Depois de dois anos e meio, saio de férias em um tempo que, sim, posso até chamar de férias: dez dias e mais dois de lambuja. Não guardei um centavo do pouco que recebo. Não tenho uma viagem mil estrelas planejada. Não sei nem o que vou fazer segunda-feira no horário que eu deveria estar cumprindo minha rotina. Mas eu sei que estou de férias. E eu sei que preciso muito desse tempo. Não que eu vá parar e pensar em mim e melhorar o que tem que ser melhorado; não que eu vá pensar e fazer várias coisas que me devo. Já sei que não vou fazer nem perto disso. Porque eu nem sei por onde começar. Ando por aqueles dias em que não sei nem mesmo que sabor de sorvete eu mais gosto. Tão perdida quanto a tal barata tonta ou o cego em tiroteio. Mas eu sei que é a hora de parar um pouco e isso já é um passo. Já é um belo de um saber. Importantíssimo. Mais até do que o sabor do sorvete preferido. Gosto de todos. Então eu paro, deixo de mandar meus releases aos meus mailings, deixo de atender o telefone com as duas palavrinhas copiadas da chefe, deixo de andar até o ponto de ônibus ali nas duas quadras do lado esquerdo do meu prédio, deixo de ligar a música bem alto enquanto o ônibus anda rápido pela faixa dele, vinte e pouco minutos de distância, deixo de subir duas escadas rolantes, descer duas, atravessar a rua, olhar o Municipal, reparar nos cuspes nojentos por toda a rua, atravessar a galeria do rock, pegar o crachá na bolsa, desligar a música, colocar o celular no vibra, subir no elevador, me olhar no espelho do elevador, abrir a porta, dar oi, colocar a bolsa na mesa e começar tudo outra vez. Às vezes é preciso uma parada. Pra depois voltar. Porque sinto falta. Gosto do que escolhi pra mim. Apesar do salário curto. Apesar de certas discordâncias. Gosto. E sei que preciso sair para depois voltar. É assim também em muitas coisas na vida. Pode até me deixar, mas volta depois. Era pra ser assim, sabe? Tinha que ter a volta. Porque é triste acabar. Pra nunca mais voltar. É triste.

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