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Archive for novembro \27\UTC 2008

não são.

não são sintomas. não são reações. não são pensamentos que param, pairam e se completam. não são dores. não são alegrias. não são olhos arregalados olhando encarando a noite. não são copos e mais copos de cerveja afogando cada dúvida e pergunta e incerteza e espera. não são questionamentos sobre uma palavra ou outra dita de bate e pronto e que sempre parece metodicamente calculada. não são muitas palavras formando frases. não são vontades explodindo na barriga. não são medos. não são feridas sendo cutucadas com algodão encharcado de álcool, lavanda, ácido.

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Gotas

Poucas palavras.

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não sendo.

o olhar pequenininho minúsculo olhando de longe e vendo tudo se abrir e crescer e ficar enorme num quase piscar de olhos.
eles se olhando e o amor surgindo de algum lugar imperceptível aos olhos comuns de quem vive a cena.
eu olhando observando de longe e assistindo o nascer o acontecer o amar o amor o ser amar amado amado.
é tão linda a luz.
é tão impreciso o toque das mãos.

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o cabelo de Sansão

uns sugando os outros. o meu melhor pela sua vaidade alimentada. o meu ouvido. o meu sorriso. a minha atenção dobrada e redobrada. te dou o melhor e ganho a sua cara de contentamento. quando muito. de um lado de outro de todos. todos sugando. sugando até o último suspiro. o último piscar de compenetração. te dou o meu ouvido e ganho o inflar do seu ego. infladora de egos alheios. um que fala, outro que apenas escuta. com poucas aspas a favor. atenção em troca de moralismos caras e bocas de reprovação. ouvidos em troca de olhar vago longe não escutando absolutamente nada e preparando para o próximo causo. de si mesmo. importantississississimo. sem som, sem cor, sem cheiro. aquela coisa toda. aquela coisa nada. são 12h12. de novo.

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O despencar.

Ele pulou lá de cima do prédio da Galeria do Rock.
Eu pensava em mim e em mim e somente em mim.
Ele subiu as escadas rolantes depressa e se jogou lá de cima.
Eu sentia calor com a blusa de mangas compridas, acelerava o passo pra chegar logo e sentia o cheiro fedido do centro.
Ele se espatifava no chão.
Eu ouvia a Taviani no mp3.
Ele morria de frente pra Igreja Nossa Senhora Mãe dos Pretos.
Eu implorava à Nossa Senhora Desatadora dos Nós para ser diferente.

Ele era jovem.
Eu sou jovem.

As pessoas em volta se amontoavam para ver o corpo logo coberto por caixas de papelão rasgadas. As pessoas falavam milhares de palavras que não explicavam nada. As pessoas olhavam. As pessoas, paradas, em volta, cercando, olhando, cheirando, sentindo. As pessoas pareciam eufóricas. As pessoas pareciam saltitantes.
O cérebro dele estava espalhado na calçada.
As pessoas de boca aberta quase sorrindo. As pessoas falando. As pessoas todas se amontoando.

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merda.

E agora, eu faço o que?
Vou pra onde?
Levanto a bunda da cadeira, pego o meu corpo e vou pra onde?
Espero o que?
Escrevo pra quem?
Sinto o que?
É ruim estar assim. Não apaixonada. É péssimo não estar apaixonada. Péssimo. Ruim.
Não espero nada. Não sinto o calor subindo e descendo. Não vigio o celular.
Não espero, não falo, não grito, não procuro, não sinto o cheiro, as mãos, a pele.
Nada.
Nada de nada.
Levanto e vou pra casa.
Levanto e não faço merda. Merda deliciosa. Merda incrivelmente deliciosa.

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disso ou daquilo

não sei mais sobre o que escrever. então não escreva, diriam. e eu já pensei nisso. já cheguei a parar. e voltar. e parar. e voltar. agora estou com a dúvida rondando. isso também não é importante. não está me importando. nada disso. nem a escrita. nem quase nada. vou indo e vendo. vendo e indo. ora com um mau humor tremendo. ora com a felicidade quase se concretizando. nada além disso. nenhuma grande sensação. nenhum grande acontecimento. ou o quase ou o nada.

podia escrever sobre a rotina. o acordar, levantar, lembrar do sonho, ficar fazendo perguntas sobre o sonho, comer, trabalhar, continuar. podia lembrar de algo lá do fundo que ainda dá prazer. causa. efeito. e o prazer todo nostálgico. queria contar do nariz de palhaça que eu esqueci uma vez. lá na festa à fantasia. lá no dia que melhor marcou a transição do mau humor para o bom humor em segundos. eu, de braços cruzados e cara fechada dentro do carro. eu, pulando pra fora guiada pelos olhos de outro fantasiado, fantasiando, arrumando a saia laranja, pulando do carro, desfilando de mãos dadas, ganhando a noite. podia projetar o futuro. criar o sucesso do livro. criar as palavras ditas no pé do ouvido depois de um beijo alucinante e o melhor de toda a minha vida. criar o eu e o ele. podia começar uma história nova. totalmente inventada. uma vida nova sem mim. sem a experiência. sem a vontade de alcançar algo. apenas contar. ir narrando na ordem que nasce aqui dentro.

podia. podia possibilidades. podia fantasias. podia realidades. podia necessidade.

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