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Archive for outubro \31\UTC 2008

Brindemos

e aí sobra a confiança que não tem jeito de fugir nem de escapar.
só eu sei. só eu vi. só eu vivi aquele segundo do tudo e do nada.
“estou tão acostumado a perder que quando ganho me aborreço.” ele disse. “é uma frase espanhola.” completou.
não era pra ser.
e eu lembrei da minha vó.
ela gritava: NÃO ERA PRA SER, JUJU.

e eu só quero encher muito a cara e afogar a semana inteira, os vinte dias todos com as confusões, medidas tomadas, vontades reprimidas, perdas, palavras caladas e uma só pessoa carregando toda a merda do peso que fica.

eu quero a cerveja de todas as mágoas. quero dormir como se nada mais existisse. apenas o sono. de cansaço. de dor. de toda a merda afogada bem fundo.

um brinde: à merda de atitude que não leva a nada. à merda de falta de atitude que não leva a nada. à vida.

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Bluebell

Música de bolso: La vie en chose

me deixa quieta no meu canto
que eu sei me virar
as mágoas da vida serviram pra me vacinar
eu aprendi que não importa o mal
é possível curar dançando tango,
comendo pastel
ou no banho a cantar

às vezes um porre de vodca pode ajudar
a vida pode ser melhor pora lá de Bagdá
outras vertentes holísticas aconselham medicar
ou aceitar que você está na fossa
e nela mergulhar

se mesmo depois disso tudo
não adiantar
se lembre
o que não tem remédio remediado está
erga a cabeça, mude de estação e vá se aprumar
tome alguns goles e saia de casa
disposto a flertar

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…e me encanto.

eu te olho com a fome que me é natural. eu queria olhar assim pra dentro de mim.

…………………..

sentamos do lado de fora da casa, em volta da mesa, nas cadeiras de plástico, com a piscina verde na frente, as paredes atrás, as flores, a grama e o verde todo ao redor. conversamos e ele se aproxima arrastando a bunda e as patas traseiras. gira o corpo em torno de si mesmo e solta o corpo no chão gelado, avermelhado, com cimento e pó. é triste essa doença que derruba a bunda dos pastores alemães. são tristes os olhares dos animais na maioria das vezes. porque mesmo felizes, eles não sorriem. e talvez seja essa mesma a graça, enxergar a alegria deles pelo chacoalhar dos rabos, latidos estridentes ou apenas um empinar de focinho ou levantar de patas para cumprimento. e carinho. sempre pedem carinho. essa é fácil de perceber. são carentes os animais. são carentes os seres humanos. os animais não têm porque esconder. os outros disfarçam. escondem na cara dura e ainda inventam milhões de máscaras duríssimas de serem desvendadas. falávamos e ele continuava ali. embaixo da mesa. quieto e triste. e ainda assim bonito. a tristeza tem um ar bonito que eu sempre enxerguei. beleza beleza beleza. tô meio aficcionada com isso. a beleza que eu vejo. a beleza que eu tanto vejo…

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o Ele

quase encontrei. tinha o cabelo preto, o quase dread chamando atenção perto da nuca, o piercing na boca, um sorriso de criança e um jeito de falar, acelerado, atropelando o raciocínio rápido e certo de que estava certo, sempre certo, com toda a razão e teimosia de sempre que me deixava…qual seria o nome?…encantada. o quase que não se completou. o quase que ficou lá no passado sem grandes refletores reais iluminando. o quase que se transformou em lembrança boa, sem ressentimentos e sem a menor pretensão de um dia voltar. essa é a esperança do romântico: o ser amado ter um estalo e descobrir, finalmente, que este é o amor que sempre procurou, esperou, ou nem tivesse imaginado que existisse, mas que é tão forte. óóó(!)(!). como se assim fosse. simples e simples. já não é. e já não importa. podia ter virado arte. música composta sucesso internacional. ficou apenas o quase. o quase que também não é experiência mal resolvida que vira dureza e prontas respostas para o próximo início. já é entendido, digerido e resolvido. completamente. sem dramas do podia ter sido, por que não eu?, o que eu fiz de errado?, por que sou tão pouco?, por que a incapacidade de ser amada?, podia ter sido. não mais. ficou o quase. e o sempre inspiração para textos sem caminhos pré-definidos, impressões escolhidas, manipulações ou charme. sempre inspiração para preencher o vazio dos textos, o vazio do eu, o vazio do todos.

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sou praticamente o resultado de escolhas que não deram certo.

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Você conhece um cara.

Ele é um pouco mais alto que você, um pouco mais baixo, da mesma altura. Ele tem o sorriso lindo, um sorriso charmoso, ri nas horas mais inesperadas. Ele é inteligente, sabe falar sobre todos os assuntos, mas conjuga alguns verbos errado, tem bom papo, sabe a piada certa da hora. Ele é são paulino, corinthiano, palmeirense, torce pra portuguesa. Ele é carinhoso, descansa a mão na sua perna apenas quando esbarra sem querer depois de trocar a marcha, responde as mensagens do celular. Ele tem atitude, te pega em casa, te espera no bar combinado, às vezes esquece que combinou de ir no bar.

O coração acelera, a boca seca, a mão transpira, as palavras não saem ou quando saem se confundem com a piadinha que você pensou, mas que em hipótese alguma deveria ganhar som. Você fica nervosa e passa a pensar nele mais vezes do que lembra que não tem dinheiro, que precisa entregar um trabalho ou sequer que existem essas outras coisas nada relevantes da vida. Comer? Ganhar dinheiro? Trabalhar? Pra quê? Quando? Onde?

Você quer saber dele. Descobrir o que gosta, que cheiro tem quando sai do banho, o que gosta de ver na tv, que filme escolheria no cinema, que parte arrepia quando é beijado, o que faz nos feriados, que sonho sonha todos os dias quando acorda. ISSO É AMOR.

Você quer saber dele. Descobrir que horas saiu de casa, com quem foi ao mercado, que horas saiu do bar, com quem encontrou no caminho, o que planeja fazer no próximo sábado, o que faz nesse segundo, com quem conversa ao vivo ou por msn, o que pensou quando encontrou fulana, porque namorou ou ficou ou beijou ou comeu uma, outra, aquela, essa, o que quis dizer com a mensagem convidando pra almoçar a sós com você, o que quis dizer com a falta de resposta pra última mensagem que você mandou sem nem ao menos ter uma interrogação indicando pergunta e implorando resposta, descobrir o que pensa, o que respira, onde respira, onde pensa, onde está a cada segundo. ISSO É OBSESSÃO.

Parece longe. Mas é tão perto.

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Sai zica.

Em casa. Depois da chuva mais forte e constante e chata de toda a minha vida. Duas horas depois: viva. E quentinha. Rumo ao título. Se a zica não saiu agora, nem sei mais.

E agora? Nenhuma gotinha lá fora. Nadinha, claro.

Lavei a alma, o cérebro, os pés, as mãos, os braços, o cabelo, a barriga, as costas…até o coração tá limpo. Certeza. Lavou até o coração. Haja água!

E os números: 17171 (público pagante) Não pagante: 17. Um sinal, um sinal? Certeza também. E o mundo girando todinho ao meu redor. Só.

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