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Archive for setembro \30\UTC 2008

não era isso.

Tem uma cama. Eu deito e fico olhando pra janela. Sempre que fico nessa posição penso que ela estava aqui, por muitos anos, quase na mesma posição, olhando a mesma janela e o mesmo prédio cinza. O que será que ela pensava? Sempre penso nisso. Queria que ela tivesse aqui. Que algumas coisas fossem pra sempre.

Tem o frio. Eu deito, me enrolo no edredon, com o rádio ligado, o computador ligado, a luz apagada, todos os mecanismos de memória ligados no duzentos e vinte dentro do corpo. A força que tudo volta é impossível de ser medida. O que se sente se repete com muita facilidade com a ajuda do cérebro. Impressionante.

Tem o mundo lá fora. Eu, deitada, com medo de não conseguir mudar nada nunca. Deixar assim. Ser atropelada. Não conseguir. Nunca conseguir. E ficar, assim, longe, pra sempre. Continuo com a idéia estranha e cagona na cabeça. Nunca acho que vou conseguir.

Tem a música que eu gosto. Eu, levantando, aumentando o som. Tudo parecendo possível de repente. Aquela sensação que vem do nada. A vontade de falar e falar e falar. E não pensar mais em nada. Deixar a música tomar conta. Deixar.

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tem uma vontade que é assim: vai faz alguma coisa, você sempre acreditou nisso, que precisava se mexer, fazer alguma coisa. ficar parada nunca foi fácil. você defendeu o contrário. vai, escreve pra ele. vai, manda mensagem. vai, se joga. você diz isso pra todos mesmo. que devemos nos jogar. pra ver o que acontece. essa foi a conclusão daquela conversa. muito significativa, lembra? vai, faz o que você tem vontade. vai, não interessa que ele não tenha feito nada. não interessa que ele seja apaixonado por outra. vai, vai. fuçar o orkut não resolve, só dá mais ansiedade. ficar lembrando menos ainda. vai, vai. tá parecendo menininha com medo de chutar o chão. você sabe o que é importante na vida, não sabe? sempre soube. se gabou disso. agora vai.

(não, não apaga tudo isso, sério, censura no blog nunca, você sempre disse. é só apertar o publicar aí do lado direito. vai. é fácil.)

um monte de gente vai interpretar e pensar exatamente o contrário do que você espera. e daí? quem é que não liga mesmo pro que os outros pensam e se orgulha disso? quem? quem? e tá tocando a música que você gosta. e você tá se sentindo feliz. e você quer fazer isso. fazer o que tem vontade. sempre. não mude. não ligue se ele também ler e pensar que o jogo tá ganho. não importa. eles sempre pensam.

(escrever deveria diminuir pelo menos em 25% a vontade de mandar mensagem. escrever deveria diminuir em mais 25% a expectativa por um sinal. escrever deveria liberar todos os outros 50% de espera e o olho no celular)

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Mas,

o cheiro que tomou conta da tela e das cadeiras e de todos os meus pensamentos, ontem, no cinema, foi outro. o dele. mais um destes cheios de impossibilidades, de quases e de quebra na sequência. mais um que eu de repente lembrei, mas que de repente não se lembrou. mais um que eu escrevi no papel a parte. porque de repente também eu fiquei meio medrosa. e colocar tudo aqui ou mandar mensagens ou me jogar mesmo não daria em nada. ou menos.

bloqueando. separando o real do imaginário. bem fácil, viu.

a categoria escolhida a dedo.

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o álcool.

é a dor da sua falta que lateja quando eu bebo. é o seu nome que fica martelando na minha cabeça no caminho de volta. é a sua foto que eu queria ver e rever quando eu chego em casa, sozinha, e cheia de saudade. é você que eu espero todos os dias e noites. é o seu nome que eu imagino ver no celular quando ele resolve tocar. é apenas você. inteiro, completo, perfeito e imperfeito. do jeito que eu vejo e do jeito que eu imagino confrontando com o que de fato é e com o que você se vê. é uma mistura toda perfeita. é você que me faz sorrir quando eu tô fudida e o mundo parece ridículo. é em você que eu penso. é sempre você que me salva. é sempre você que fala baixinho no meu ouvido que valeu a pena, que existiu, que ainda está aqui, lindo, perfeito, baixinho, escondido, mas ainda assim real. é claro que é você. é você que preenche todos os vazios sem nem imaginar que ainda é tão presente e tão heróico.

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a dor que ainda dói.

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Leia tudo.

“…antes de retribuir esse olhar, saiba que você pode ser responsável por muita coisa. é apenas o levantar dos olhos, mas você pode até me matar.” Eduardo Baszczyn (blog 22/9)

porque têm aqueles que abrem a porta e depois não querem que a gente entre.

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em branco.

Criar um novo artigo. Aparece assim a página que eu abro. E a palavra fica gritando. Criar. Recriar o mal-criado. Criar a partir de um outro momento. Olho pra televisão ligada, pro rádio ligado, pras pessoas ligadas e tentando acelerar o processo. Tantos processos. Criando. Recriando. Desenhando com os traços mais bonitos que possam parecer para cada um. Cada um que desenha e cria de um jeito. Dizem que homem apaixonado é ainda mais intenso que mulher. Penso nisso. E imagino outras situações. Na verdade apenas começo a puxar o fio, porque de fato não consigo sair do mesmo ponto. Nunca. Fico rodando em volta. Volta de. Que nunca volta. aliás. Ontem enquanto eu sonhava – ou hoje pela madrugada, me perco – veio a imagem, o cheiro e o gosto. Lembrança que remete lembrança. Ou seria no plural? Não cheguei a sentir também. Só sonhei. Mera imagem. Penso que já é tarde. Porque tem quem chegue depois, tem quem chegue antes, têm os despreparados, têm os realizados, têm os que já experimentaram aquela dor e já não encostam o dedo na ponta da agulha

e ainda têm os corajosos.

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