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Archive for agosto \29\UTC 2008

Depoimento.

estudante fala de sua fixação pelo celular: eu não consigo desligá-lo nem por um segundo. às vezes me pego olhando pra ele, paquerando, fazendo charme, como se de repente ele resolvesse acender a luz, tremer todinho e tocar aquela música que eu coloquei especialmente quando certa pessoa me liga. na hora de dormir ele fica bem pertinho do meu ouvido, embaixo do travesseiro. quando vou almoçar, sozinha, ligo pra alguém pra me sentir acompanhada. quando tomo cerveja ligo pra quase todos os contatos que transpiram um pingo que seja de testosterona. outro dia ele ficou preto, sem as letrinhas do dia, hora e saudação que eu coloquei na tela, quase tive um troço. e se ele me ligasse bem naquela hora? e se um caçador de talentos farejasse o meu justo naquela hora? dei uns tapinhas nas costas, pedi à são longuinho, são judas e todos os anjos celestiais e ele voltou de repente, mais de vinte minutos depois. vinte minutos. uma eternidade de possibilidades.

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Vai dar.

dá um arrepio, uma dor de barriga, um balãozinho subindo na cabeça e sonhando tudo. tudo. tudo. o dia. a luz. o som. o cheiro. tudo, tudo. remexe tudo aqui dentro só de imaginar. tem que ser.

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Ao lado.

sentado, olhando pra baixo, desviando sempre o olhar, a mochila no colo, o celular no bolso e um sorriso que se abria toda vez que a pegava encarando seu corpo. primeiro o rosto, depois as pernas, e o braço tentando encostar no seu braço.

sentada, inquieta, as pernas se mexendo incontrolavelmente, o ipod na mão, os dedos pulando música a música, o fone explodindo no ouvido, as mãos suando, as mãos esfregando as pernas misturando a agonia ao suor, os olhos vidrados no rosto dele, depois nas pernas, no sorriso, constrangendo-se.

sentados, as pessoas em volta, em pé, no ônibus, indo, vindo, passando na catraca, gritando no celular, apertando o botão, subindo, descendo, desviando os olhares, se ajeitando no pouco espaço, não reparando.

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O livro.

Sim. A sorte está lançada. E eu tô cagando de medo.

Dei o primeiro passo. Ou o segundo, porque escrever foi o primeiro. Tenho que decidir o final e o título. Tenho. Tenho. Tenho.

Preciso conseguir. Por favor. Preciso.

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CEP.01227

Presente pra você: uma caixa cheinha de papéis. Cada palavrinha que eu escrevi pensando em você. Pode ler, pode queimar, pode limpar a bunda. Tanto faz. Porque eu não quero mais. Preciso de espaço no armário. Só descer. E pedir pro porteiro. Nº589. Ap. 71.

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Ela olhava com aqueles olhos brilhantes bonito de se ver. Sentava inquieta, com as mãos ora em cima da mesa, ora no colo, ora arrumando a franja que caía sobre os olhos. Enquanto ele falava, ela deixava o riso saltar da boca. Os dentes aparecendo, os lábios afinando, o sorriso brilhante combinando com os olhos, bonito de se ver. Fazia piadas, ria, arrumava a franja, deixava um dos ombros à mostra, a blusa, dessas de mangas esvoaçantes, escorregava delicadamente, a alça branca do sutiã aparecia e ela continuava prestando atenção. Com os olhos apaixonados. Porque não são olhos atentos, nem fixos, nem nada, são apenas olhos apaixonados. Desses que não prestam atenção em qualquer outro movimento. Apenas nele. Só nele. Ele, ele e ele. Mesmo sem saber. Mesmo sem perceber sequer que tinha esses olhos. Nada. Não percebe, não vê que mal escuta os outros da mesa, nem mesmo nota a bandejada que o gringo da mesa ao lado quase levou do garçom desajeitado.

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Sobre as Olimpíadas. E os campeões. E nós. E os desejos. Copio alguns trechos porque eu achei interessante. E porque volta ao assunto que eu comecei aí no outro post.

Conclusão: nosso desejo é o fruto volúvel das ocasiões, das circunstâncias e, sobretudo, das relações com nossos semelhantes; ele é uma disposição que INVENTAMOS – não que DESCOBRIMOS.

(…)

Pois bem, os campeões, ao menos durante um tempo de sua vida, focam seu desejo, ou seja, persistem em desejar apenas uma coisa. Até aqui eles são parecidos com a gente. Só que, diferentes da gente, eles se autorizam a desejar uma coisa que é difícil, mas que não lhes é impossível: desejam a excelência num ofício para o qual eles têm talento.

E finaliza com o que eu mais gosto e ando repetindo por aí ultimamente:

Restaria se perguntar por que um campeão pode falhar. Pois bem, até os campeões precisam daquela coisa que faz com que, um dia, milagrosamente, a disposição do humor, a temperatura, o brilho do sol ou o barulho da chuva conspirem para que tudo dê certo. Ou seja, precisam de sorte.

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