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Archive for março \31\UTC 2008

Torturando –

me.

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Precisando falar, explodiu.

Sozinha, as paredes do quarto, a porta fechada, nenhum móvel, armário, escrivaninha, nada. Apenas um pôster na parede.

Não sabia quem procurar. Não visualisava o diálogo preciso com ninguém. Ninguém que pudesse olhar no fundo dos olhos e despejar palavras soltas que não conseguem fazer sentido no ouvido dos outros. Pensava em como é difícil a relação do que se é e de como se é traduzida. Interpretada. Cada um lê de um jeito. E tem quem nem leia. A maioria. Medo. Preguiça. Desinteresse. Nada.

Já não aguentava mais se jogar nas letras de músicas. Questão de interpretação também. De repente o compositor nem sentia nada daquilo. Minto. Sentia sim. Ninguém escreve sem sentir. Ainda acreditava nisso. Com a maior ingenuidade que se pode adulta. Mulher feita. Feita de pele, carne, osso e um coração que quer explodir sozinho perto da porta. Cena de novela.

Precisando falar, explodiu.

Sozinha. Num quarto. Encostada na parede. Se repetindo. Pedindo. Implorando. Querendo não querer. Esperando ser o que todo mundo espera pra completar um vazio ou pra preencher um espaço que é ilusório e provisório e breve. Pensando no dia que vai chegar, no dia que vai conquistar, no dia que vai receber, no dia que vai se doar sem doer.

O barulho da rua toma conta de todo o bairro. Ninguém ouve a explosão.

O barulho é de mentira. A explosão é muda. Não consegue falar. Não consegue gritar. Não consegue. Nunca consegue. Se engana com o mínimo.  

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Mudando nada

algumas mudanças não são possíveis. vão contra a natureza. passando por fases estranhas descobre-se que não tem mudança. tem aceitar. e entristecer pra depois levantar e fingir que não existe. não tem eu assim, eu antes de ser assim, eu agora, eu ontem. eu, eu, eu. já não dá mais. é e pronto. o que acontece é que acostuma-se. a não ter. a não ser. a não sentir. não de dentro pra fora. mas de fora pra dentro. não vem. não vem. as coisas simplesmente são. são porque seguem o tempo, mesmo quando nada acontece. os dias estão estranhos. com uma sensação de não adianta fazer nada. vai acabar mesmo. e não fica a memória. não fica. e é tão triste. tão tão tão que me dá vontade de chorar por isso. e pelo tempo. e por mim. e porque o choro fica querendo sair em todos os momentos. todo e qualquer. na alegria e na tristeza. na saúde e na doença. (isso de escrever qualquer coisa sai cada coisa. qualquer) ainda bem que já não tem mais água agora. porque também não tem mais nada. porque também nunca teve.

tem a história de não existir mais nem atração física. é. tem essa história. como ele pode? não pode. não pode. não pode. (essa mania de repetir três vezes deve ter explicação psicológica. algo de neurose)

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Sensacional

Clarice:

– Você gostou de me dar essa entrevista?

Nelson:

– Gostei. O que vale na vida são os momentos confessionais.

É a Lispector mesmo.

E o Rodrigues. Nelson Rodrigues.

Gênio. Gênios.

(do livro Clarice Lispector Entrevistas. da Rocco.)

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Quem é?

quem é essa pessoa aí,

feliz, estranha, querendo, esperando, morrendo de ciúme?

quem é em?

fala que você tá com saudade, mas que também nem pensa mais, que você tá é cheia de idéia louca e vontade mais louca, e controle escapando pelos dedos.

é ansiedade.

de tudo. sem limites e coisa que se explique.

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Fiz.

não foi assim um acontecimento. mas também não foi ruim. pelo menos tentei. pelo menos voltei à mim mesma. com um medo que o coração quase pulou pra fora. mas com coragem. até parece papo de perdedor. o importante é competir. mas é. de fato. viver deve ser isso. tentar, tentar, tentar. um dia ele aparece. ou não. e eu vou tendo momentos de coração pulando pra fora. adoro o coração assim mandando em mim. se o coração aparecesse do lado de fora eu tava perdida. exposta feito carne em açougue. se bem que me entrego mesmo com ele guardado atrás de um monte de coisa.

músculos.

ouvindo: “e hoje em dia? como é que se diz eu te amo?” o Renato Russo repete tanto. ainda assim é difícil de espalhar. porque as pessoas acham difícil.

ai, o Vinicius. ai, o Renato. ai, o Cazuza. Homens. nem mulheres são pra eu dizer: tá vendo, só mulher sente.

a Páscoa tá aí. troquei o ovo pela cerveja. ainda bem que o celular não funciona por lá. ainda bem por que? você está sem muso inspirador, lembra?

merda.

chatice.

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a adolescência pesando na hora errada.

que papo é esse?

medo de ligar? medo de se jogar? medo? medo? medo?

e a rejeição de repente parece um monstro do tamanho de São Paulo. do tamanho que eu vejo. imenso. sem fim. e não é? rejeição… até o som dela é feio. a escrita. toda feia.

eu só queria aquele impulso de antes. interpretado como obsessão. mas que era só amor. paixão. essa coisa doida que ninguém sabe definir direito. e todo mundo fica pensativo quando eu pergunto.

eu tô lendo a biografia do Vinicius de Moraes, do José Castello. e, porra, ele legitima muita coisa. e não parece bobo. vago. sozinha. estranha. parece real. o amor mesmo. e não só a poesia. ou a arte. o homem foi casado com nove mulheres, oficialmente. e amou cada uma delas. dá, sabe? sem contar as outras milhares. não-oficiais. não-oficiais parece até bonito sendo do Vinicius. só o prefácio já dá um banho de… de… um banho.

“Os poetas estão faltando, porque estão faltando homens em geral”, diz numa entrevista quatro anos antes de morrer. “E os homens estão com medo da vida”.

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tem uma outra coisa sobre um defeito ser a essência de alguém. ou o estilo. não sei direito. que eu ouvi ontem. não no livro. ouvi mesmo. preciso reformular. e absorver.  

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