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Archive for outubro \30\UTC 2007

Nome Próprio

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Nome Próprio. Brasil, 2007. Murilo Salles. Com Leandra Leal. 130 min.

Ontem fui finalmente assistir o filme que eu esperava desde a última folha do livro. Ou seria desde a descoberta do livro? Desde a descoberta da Clarah? A primeira sessão em São Paulo aconteceu lá no Cine Bombril, no Conjunto Nacional. E, óbvio, lá estava eu acompanhada de cabelos curtos por todos os lados. Nunca vi tantas juntas. Não entendo bulhufas de cinema, produção, fotografia, trilha sonora, direção e cia. Só sei o que senti. Como sempre. Sou tão repetitiva.

Camila – a protagonista, o nome próprio, a narrativa, a ficção e a realidade – é interpretada pela Leandra Leal. Ela vive a Camila, literalmente. E eu nem me surpreendo. A história toda rodeada de muito silêncio e ruídos que saem do corpo – da vida – é adaptada dos livros da Clarah, com algumas interferências do diretor e da produção. Foram mais de duas horas sentadinha na cadeira piscando só por necessidade. Foco. Concentração. Quem disse que eu não tenho? É tudo tão real e lindo e duro que eu nem consigo pensar muito. Ao mesmo tempo que não consigo deixar de pensar. Confuso isso. Vejo e sinto. Sinto e vejo. E a vontade que dá é de pegar todas as pessoas do planeta pela mão e levar lá pro escurinho em frente ao telão. Ia sentar um por um, bem quietinho, ver junto e de novo, acompanhando um a um, pra no final olhar bem no olho e dizer, em silêncio, com os olhos: “Não disse. Viver é assim. Dói, né? Assusta, né? Mas, é! É! É! É!”

Na volta pra casa fui pensando nas cenas com a minha prima e fazendo as conexões. Cada dia vou me identificar com uma. Ou com todas. Mas a escolhida de ontem foi bem no finalzinho. No encontro com o amor. Ele se aproxima, sabe tudo dela, gosta de tudo, gostam junto e passam três dias como se fossem uma vida. No filme é intenso, mas breve. No livro tem mais detalhes. Na vida, os dois juntos. E depois da explosão, do encontro, da entrega, ele some. Ela passa dias perto do telefone, checando a caixa de e-mails, perguntando pras paredes, pras amigas, pra si mesma e não consegue. Vai atrás da resposta. Depois de um mico daqueles grandões depois de bebedeira, ela finalmente consegue a conversa. No filme, em frente a uma janelona. No livro, em frente à sua casa. Ela pergunta se foi ficção. Se aconteceu aquilo tudo, aquilo, aquilo. Ele diz que foi bom. E completa com todas as letras que não é nada. Assim, nada. Que ela talvez o tenha inventado. No filme, ele já diz que está com outra. O que, na verdade, eu preciso comentar que deve ter sido idéia de homem. Nesse roteiro todo tenho certeza que quem mexeu nessa parte foi um homem. No livro, ele diz que tem medo. Que não pode. Antes do envolvimento ele conta da desilusão que o fez fugir do país – antes, antes, com outra, lembra? Já alertando pra futura fuga. No livro, ela continua sem entender. No filme, idem.   

Ela é tão real, tão real que chega a doer. Precisaria de um post para cada cena. A transa com o desconhecido de Ribeirão Preto é sensacional. Os espasmos depois de uma bebedeira, em casa, frente ao computador, genial. Juro que eu nunca vi uma atriz tão completa dentro de uma história. A Camila da Clarah. A Camila do Murilo. E a Camila da Leandra. Perfeita.

Livros – Máquina de Pinball (2002). Vida de Gato (2004). Das coisas esquecidas atrás da estante (2003). Filme. Blog da ClarahBlog da Leandra. Recomendo tudo. Se eu pudesse eu impunha, isso sim.

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Feliz! Ufa…

Acho que eu voltei. Eu, aquele ser que mora dentro de mim. Aquele lá, que mata a sede com cerveja e muitas pessoas numa mesa de bar. Uma que significa muitas. Três que significam muitas. Aquele eu, que ri e nem tem uma tonelada nas costas. E que fala, fala, fala sem parar. Claro que pra ouvinte especial. Que ouve e nem liga o som do carro pra não atrapalhar. E que diz que eu tô linda. Melhor fase. Que até o brilho dos olhos e a olheira do amor que passou complementaram o ar belo. É, ele disse. Até madura eu me senti. Dos 14 pros 22. Num pulo.

Leeeeeveee… Só lembro da propaganda sei lá do que diet que fala esse leeeeeeveee…

(…)

Só pra lembrar: Ju, eu te amo, né?! Eu falava da cerveja… E pensando bem. É uma ótima cia também, sem dúvida. Retiro o que eu disse. E, te amo devia ser bom dia, pô! te amo. te amo. te amo. larárárá…

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Tava tudo calmo, devagar. Voltando ao normal aos poucos. De repente vem um tanque de guerra e destrói por completo. Acaba. Explode. Tanque de guerra = Eu mesma. Anta. Isso porque eu insisto em não estar sozinha. Dormindo são os anjos. Na rua, os amigos – os reais e os imaginários. Ontem, a cerveja. Agora entendo o que dizem das más cias – a cerveja! (amo cerveja) E entendo também aquela história de covardia. Fugir é o melhor remédio. Fujo agora. Antes, de longe, tava indo. Quem mandou achar que é corajosa? Besta. 

Droga. Eu queria ter 40 anos agora. Será que demora? Preciso de um cachorro também.

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Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem acabei
De tanto ser, só tenho alma
Quem tem alma não tem calma.

Fernando Pessoa

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Mais Mostra!

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*Foto: Caco Ciocler. Fly. 

Curtas 6

Silêncio. Brasil, 2005. De Sérgio Borges. Espeto. Brasil, 2006. De Guilherme Marback e Sara Silveira. Verão. Brasil, 2007. De Luiz Gustavo Cruz. Fly. Brasil, 2007. De Marcio Salem. O crime da atriz. Brasil, 2007. De Elza Cataldo. 88 min.

Pela primeira vez na vida tenho alguma disciplina. Saí do trabalho ontem e fui assistir a mais uma sessão da Mostra. ÊÊÊÊ!! (tenho que ter exclamações pra isso…desculpe!) Uma garoinha chata e um trânsito mais chato ainda me atrasaram, mas consegui chegar à sala 1, na Reserva Cultural, às 18h45. Perdi os comentários dos diretores antes da exibição. Adoro ouvir os diretores. Odeio o trânsito. Oquei, vi os curtas desde o começo. Pois é. Uma sessão de curtas. 5 deles. Meu Top List:

1 – Fly; 2 – O crime da atriz; 3 – Verão; 4 – Silêncio; 5 – Espeto.

Todos ótimos, mas preciso de uma ordem nessa vida. No quesito gosto, pelo menos, preciso de opinião, poder de decisão, afinal.

Fly – com Caco Ciocler e Thiago Oliveira. São dois irmãos, dois amigos, dois amantes, dois homens – enfim! – que têm uma relação de amor. E o amor, o silêncio, a representatividade de um pro outro, do outro pra um, os olhares (um olhar…(ó!) era isso que eu imaginava nesse título…esse olhar), e a perda. Tenho lido tanta coisa sobre a perda. E me emocionado. Impossível separar a vida real da arte. E do cinema, da música, dos livros. Escrever sobre a perda e filmar sobre a perda e falar, sentir… é muito forte. E lindo! Porque é triste. E sei lá, o triste é bonito. Porque é sentimento. E, bom, tô indo longe… Perdi duas vezes em menos de 6 meses e duas perdas que nunca vão passar. De repente ficam aí caminhando junto… Reticentes! Bonito, isso! No filme vem a loucura, o estado de anestesia misturado com a vontade de fazer algo. E as forças somem. Mexeu demais. (As exclamações para a Mostra ÊÊÊ!!! se explicam)

O crime da atriz, Verão e Espeto são bem humorados e de uma ironia gigante. Odeio e adoro ironias, ao mesmo tempo. As bem elaboradas, rápidas e sem o tom prepotente eu amo. Os três são assim. Rápidos e de bofetadas e risadas na cara da gente. O primeiro é a história de uma atriz que tem um pequeno papel numa peça, apenas uma fala, duas ou três frases. Mas ela faz diferente (tipo propaganda da Coca ou do Ig – o mundo é de quem faz), claro que melhor elaborado e não auto ajuda besta. A comparação nem cabe, foi só uma piada pra frase que eu comecei. A atriz que não era protagonista, e tem apenas duas ou três falas, sobe ao palco, no dia da apresentação e fala, fala, fala e fala. Inventa. Atua. E é lindo. É puro. Quem nunca se imaginou saindo do texto? Sempre que apresento trabalho na faculdade me imagino doida, saindo correndo, gritando, gargalhando, falando qualquer coisa, cantando. Sair do esperado é divertido. O filme idem. Curto e preciso.

Verão conta a história de um senhor que trabalha numa loja de caixões de primeira linha. A ironia com o calor e o fato dos ricos não morrerem nessa época é hilário. E a compra da poltrona, a morte da mulher. Ironias seguidas de ironias. E os atores sensacionais. Simples. 

Espeto é sobre garçons de um rodízio de carne. Mais ironia. E uma explosão de imagens bizarras carregadas de força. No maior estilo linguagem de rádio. Eu achei pelo menos. Um falar sílaba a sílaba, gargalhadas ao fundo, um (ó!) para as maldades do vilão (meio vilão)… Caricato.

Silêncio é poético. Triste. Mais perda. Mais dor. Emocionante, em preto e branco, com água, olhares, homem, mulher. Vida, né?! Só pra eu não deixar de ficar repetitiva. Essa é a marca.

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Mostra, mostra, mostra!

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Otávio e as letras. Brasil, 2007. Dir. Marcelo Masagão. Com Donizete Mazonas, Arieta Corrêa e Fábio Malavoglia. 83 min. 

Acabei de chegar. E consegui. Fui na Mostra…êêêê!!!!

Já tinha visto outro dele na faculdade. Nós que aqui estamos por vós esperamos (1999). Saí do cinema com a mesma sensação que naquele dia da faculdade. É mais ou menos assim, você vê, fica mudinho e com os olhos vidrados na tela, aí você espera o letreiro inteirinho com aquele ar de curiosidade e perplexidade e calma. Levanta da cadeira, sai do cinema e só consegue pensar em uma coisa: E agora? Adoro história simples. Contada de forma simples. E ele fala pelas imagens. Muitas delas. Não tô nem perto de entender de cinema, só entendo do que sinto. Aliás só escrevo o que sinto. Vivo do que sinto.

O filme fala de obsessões. Mas é tão doce que nem parece loucura. Porque talvez não seja mesmo. O moço queria o silêncio, a não-palavra, rabiscava todas. A moça gostava de fotos, do silêncio também e de observar. Adoro coisas sobre voyerismo. Quem disse que isso é obsessão? Nada. É vida. (Tenho a leve impressão que já escrevi essa frase hoje)

E tem o encontro. Que não explica, não julga, não entende, nem quer. E a música dá vontade de ficar ali sentada olhando pra sempre. Já tava esquecendo de falar do sotaque da atriz. Uma paulsitana carregada. Adoro esse som. E também a atuação.

O bom é sair e tomar chuva e tomar ônibus…Ahã!

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Constatando um terrível defeito (meu)

Sou obsessiva. Completamente. De certa forma, creio que essa característica tenha me ajudado a ser quem sou, mas ela é burra no que se refere ao amor. Eu quero que o outro – qualquer um, qualquer um, qualquer um mesmo, quando esse um está disfarçado em nomes próprios – tenha a noção de como seria incrível viver aquele um-pouco-mais-comigo. Os meus desejos… As minhas reticências… Mas a minha maior burrice é não perceber que não ter esses momentos não significa que nada disso exista. E existir é o melhor que tenho a fazer, ponto. Posso estar bem comigo mesma. (Fernanda Young. Tudo o que você não soube. Ediouro. Pág. 94)

….

Eu pedi aqui e minha prima me deu – nessas horas sinto que sou sortuda. Chegou lá em casa, embrulhadinho, com cartão de presente e tudo. E, óbvio, já li. Acabei agora pouco. Escolhi esse trechinho só pra dar água na boca. E porque foi a parte que me pegou no momento. Mas disso falo depois. Deixa eu falar um pouco do livro. Ele é todinho escrito em primeira pessoa. A história da narradora, sua vida e tudo que a cerca é contado como se numa carta endereçada ao pai, à beira da morte. A mulher que matou a mãe usando um martelo. A menina que tem por trás dela. Tudo ligado e embrenhado pelas loucuras humanas. Tudo que você não soube. Li numa tacada. E sem susto. É vida. E só. Como se isso fosse pouco… 

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