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ninguém sabe o que é antes que possa acontecer. e é como se uma explosão ficasse fazendo barulho ininterruptamente mas como música que embala, que embebeda, que faz flutuar. e continuo sentindo os meus pés no meu coração e minhas mãos. porque o corpo todo sente. porque a cabeça não pensa nada além de: eu te amo. e os olhos deixam as lágrimas fazerem brilhar cada pedacinho de sonho de criança. viramos criança e somos enormes e o tempo só cochicha bem baixinho no ouvido: ele é você. 

faz um século que eu não me sinto assim. e é como se eu pudesse ter de novo o coração na boca só de olhar você passando pela porta. era madrugada e é sempre perto de amanhecer que eu penso nos sonhos que eu invento pra ficar acordada. são todos os clichês que eu joguei pela janela do quarto e que me ridicularizam no espelho do banheiro. não vou ficar me encarando porque não me preocupo comigo. é só um outro ele sendo feliz por perto e me dando força para deixar as obsessões no fundo dos olhos e o caminho de pernas abertas esperando por pura diversão. 

porque você tirando o cigarro do maço com a boca é a coisa mais sexy do mundo.

mandei ampliar a foto da minha vó sorrindo na janela. é pra pendurar na casa nova. tem um peso que é um filho da puta de um urubu grudado na minha nuca. sem excessos de egocentrismo, ninguém apontou pra mim, nem lembrou da minha existência pra meter qualquer tipo de marra. é só uma questão de vida e a merda que ela carrega. eu conheci uns caras que me fizeram abrir a ferida e olhar de novo pra coisa toda que eu tinha encapado com fita de cetim cor de céu. e eu voltei a chorar anos depois. é como se toda criança do mundo se contorcesse em estado fetal dentro do meu estômago. tenho vontade de vomitar durante a reunião do novo cliente. 

eu fiz a pergunta, ele baixou os olhos e contamos quase dez segundos de silêncio. tinha uma câmera ligada, corações apaixonados e o meu sonho gritando por todos os cantos: nunca me senti tão feliz na vida. gravamos quarenta minutos e acabou como se fosse uma receita de bolo mas era aquele bando de nós na garganta. eles seguram a entrega depois do susto. não sei dizer. são apertos de mãos e o desvio dos olhos. alguém disse que era assim. porque de alguma forma foi tão suficiente.

eu tinha desistido porque não ia acontecer mais. acontece que acontece. acontece que as coisas definitivas são só ameaças de covardia. acontece que eu acordei um dia e me vi sorrindo enquanto ouvia o som daquela voz. sabe o que aconteceu? o pior. ele dizendo com todas as letras: o seu problema, o seu problema é sonhar demais. e aí eu tive vontade de rir. rir muito alto e daquele jeito que é como se nada tivesse se passado dentro do coração. e puf, nem começou. porque ele ronca tanto e tem um jeito irritante de tirar `aprendizado` de tudo. pro caralho o que você quer aprender. eu só quero continuar assim: o medo me movimentando.

sabe o que é respirar e pensar:
você era só uma miragem e agora vivo a sua vida?
de trás pra frente, com silêncios como aquele.

porque o fluxo continua.

boas notícias

boas notícias,

chegando pelo telefone
email, blog, facebook, twitter
instagram?
são tantas as possibilidades

ansiedade
vontade de comer os cotovelos
com banana
e caramelo.

inaudível

minhas bochechas me fodem
em vermelho gritante
contrariando olhos caídos
no seu colo, boca, mãos
eu poderia ficar pra sempre
a mulher que não existe
na adolescência tardia
que esquece as melhores palavras
e treme a voz que fala pra dentro:

eu queria ser mais
(do seu tamanho)

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