O Sol brilhava forte e projetava a sombra da árvore enorme na frente da casa. A tal árvore que aparece pequenininha nas fotos do álbum que está no armário do quarto. O Sol brilhava e fritava os pensamentos dela sentada perto da piscina. No chão. Estirada, quase deitada. Olhando pra frente e depois pra cima. Lembrando do pedido que fez pro Sol. É, pro Sol mesmo. Porque pensou que Ele nunca tivesse sido alvo de beatas ou crentes de igreja. E talvez assim tivesse menos pedidos pra realizar. E, logo, realizasse o seu num espaço de tempo que nem o relógio maluco e barulhento perceberia. No calor, no escuro que os olhos enxergavam lacrimejando a força daquela luz, pediu com toda força. As palavras combinaram sem vergonha e sem embaralhar. No outro dia. Sentada, quase deitada, ela lembrava. E não sabia identificar muito bem se tinha sido realizado. Se foi Ele mesmo. Sentiu-se ingrata por não reconhecer. Dormiu esperando a continuação do pedido. Que, claro, não teve coragem de transformar em palavras e pedir de novo. Nesta tarde. Talvez por isso tenha dormido assim. Com medo, sozinha, esperando, não tendo.