Eu olho desatenta pra ele. Sem fixar em ponto algum. Ou disfarçando. Sem entregar o corpo e o coração e todos esses batimentos que aceleram sem a minha autorização racional. Ele dispara e eu disparo a falar. Tem o papo sobre o clima, sobre o trabalho, as férias, a música que toca. Nunca sobre a balada de ontem. Nunca sobre uma ou outra que passou os lábios nos dele, as mãos, ofereceu o pescoço, o cheiro, os cheiros. Nunca. Nunca também sobre o sumiço. Ou a falta da falta. Eu tento. Desatenta. Disfarçando. E ele me abraça com carinho. Deixa escapar uma palavrinha ou outra. De leve. Quase sem efeito. Mas que eu insisto em captar fingindo ser o alfabeto todo de saudades e carinhos e falta. Admitindo. Só porque eu criei assim.
Eu deito a cabeça no encosto do carro e finjo que não estou ali por inteiro. Finjo uma viagem pra outra preocupação. Mais importante que a falta que eu senti, que a espera que ainda vou praticar, que todas as idiotices que eu pensei em falar. Pensei, não, ainda penso. Ali, naquele segundo, milhões (trilhões!) de palavras se misturam ao mesmo tempo que silenciam. Estranho isso de não saber muito bem o que fazer. Sempre achei que soubesse. No fundo talvez eu soubesse. Porque calei.
Sei lá. As noites são lindas.
NOSSA… isso nem merecia um post seu..mto menos um comentário meu..
sem palavras!!
Definitivamente precisamos de uma cerveja na Augusta… sábado, bora?