Ela tinha uma voz de homem, meio Cicarelli, meio Monique Evans fazendo pose em algum programa de Tv pequena. Mas tinha o corpão de mulher, magra, meio menina, loira, boca grande. Dezoito anos. Quanto tempo já faz isso… Tinha o nome que ela falou também. Não consigo lembrar. Esqueci de muitas coisas sábado. Porque eu queria mesmo. Esquecer que existem convenções a serem seguidas, minha distração preferida. E eu falei no telefone dela. Juntamos a mesa e falamos mais um pouco. Enquanto a cerveja descia feito água. A Augusta faz isso comigo. Falei com ele. Coitado, mal sabia o que dizer. Desconfiava. Enquanto ela bebia na mesa já colada à nossa. E trançava um pouco as pernas. No banheiro reviraram tudo. Pessoas. Mulheres desdenhando homens. Se fazendo independentes. Loucas mesmo por um calaaboca-que-eu-tô-indo-aí-te-pegar. Mulheres não aprendem. No telefone eu disse qualquer coisa pra distrair. Ele ficava em silêncio. Mas não desligou. Educado o rapaz. Desconfiado. Ainda assim apaixonado. Aparentemente. Apaixonados passivos são chatos. Grita com ela, eu pensei. E faz ela ir até você. Ou faz ela ter medo de te perder. O medo é coisa das mais loucas. Ela dizia que o amava. Ainda assim. Bêbada, com a amiga, na mesa ao lado, mentindo pra ele, causando no banheiro, entrelaçando as pernas, dezoito anos ainda, me passando o telefone. Arrasou amiga. As palavras também eram de traveco. Juntando com o tom da voz. E tomava vodca pura. Virando. Também devia descer feito água naquela hora. Isso é vida. Faz ele vir te buscar, amiga. Devia ter pensado isso. E não ceder. Apaixonados passivos são chatos. Gente passiva é chata.
me perdi aí…
num sei separar o q foi vc..e o q é verdade disso ai uahauhau
bjo bjo bjo
Hahahaha… não era “arrasou, amiga”… e sim “arrasou, GATA!”.
E, no final das contas, ela é a mais certa de todas nós.
Beijo.