Porque ele tava ali sentado com as pernas pra fora da grade olhando pro céu e pensando em todas as coisas que cabem na cabeça ao mesmo tempo.
Não deve ter um limite pra essa quantidade de pensamentos. Mas ele procurava. Balançava as pernas e pensava nos limites. Na noite que já tinha acontecido, no Sol que nascia, na noite que viria de novo e na vontade de não mais levantar dali até a noite chegar de novo. De manhã ele não sentia nada. Ou melhor, sentia segurança e enchia o peito pra dizer que não ligaria mais e que a semana passaria sem ele nem lembrar que ela existia. Que ela tinha aquele beijo, aquela cintura apertada que ele entrelaçava os dedos completamente, dando a volta com os braços e sentindo o cheiro do cabelo que vinha com a força do puxão. De noite voltavam todos os cheiros. E as vontades.
Continuava a balançar as pernas e tentar focar em algum pensamento. Parou na cena da noite que acontecera. Os outros pensamentos embaçavam esse. De repente veio com força. Ele olhando fundo nos olhos dela e se despedindo. Já não aguentava mais vê-la com outro. Outros. Já não suportava mais o ciúme todo que corroía por dentro e não o deixava dormir. Ele disse isso tudo. E ela olhava sem conseguir se mexer. Sem nem largar a mão do menino de branco. Nem o nome dele ela sabia. Do outro. E tinha vontade de gritar tudo que sentia. Mas não conseguia. O gelo do peito trava tudo nessa hora. E as palavras parecem confusas como os pensamentos que brigavam enquanto as pernas dele balançavam.
A noite seguinte ainda ia demorar. O Sol batia forte na cabeça e ele já se acalmava. Sempre olhou nos olhos dele sem medo, sempre pensou nele sem medo, sempre o teve sem medo. As atitudes é que eram poucas. Ele queria o excesso. Ela não conseguia. Ela queria ele. Ele ainda procurava por outra. A das expectativas.