O relógio da sala tocava reproduzindo badaladas de um sino. O despertador gritava de dois lugares diferentes. A torneira do banheiro jogava água e ecoava o barulho dos canos, da instalação ou sei lá de onde. Da televisão, as palavras se atropelavam tentando contar o que acontecia no futebol. Veio ainda a música de algum carro na rua com caixas de som potentes, os ruídos de quem procura a camisa, a calça, o cinto, coloca cada coisa, abotoa, fecha, anda e respira.
Bem naquela hora tinha um silêncio. Poucas palavras. Movimentos. E uma vontade de olhar bem fundo nos olhos. Junto dela - ainda - o medo de assustar.