Era noite de forró no clube de campo da cidade pequena do interior de São Paulo. Gabi e Manu eram novas na cidade, mas já tinham formado um círculo de amizades que se encontravam no clube depois do colégio. Igreja no centro, rua do mercado e clube de campo são pontos essenciais para uma cidade do interior.
Gabi e Manu eram irmãs, mas também amigas inseparáveis. A pouca diferença de idade as aproximavam formando sempre uma mesma turma. As duas não tinham dinheiro suficiente para o título do clube. Mas acompanhavam frequentemente os amigos em um esquema mais que perfeito que acontecia na entrada dos fundos.
A entrada principal era muito visada. Mas a dos fundos, quase abandonada. As duas entravam sem muitos problemas falando o número da carteirinha que tinham decorado das irmãs de uma amiga. As irmãs dessa amiga não tinham suas fotos no sistema eletrônico do clube. O que aliás era motivo para a cobrança na hora que diziam os números na portaria. Motivo também para aumentar ainda mais a adrenalina. Todos os dias era a mesma sensação de alívio ao passar pelo campo de futebol, logo na entrada.
A noite de forró era também para sócios. Mas as duas preferiram pagar os ingressos inteiros. Para os convidados. A noite era especial: o garoto que hasteava a bandeira no colégio estaria lá. As duas sempre se apaixonavam pelo mesmo garoto. Não tinha jeito. E nem brigas mais. Estavam acostumadas.
Já passava da meia noite e já não aguentavam mais a chatice daquele lugar. Nem forró estava tocando. Nada. Vazio. Só a piscina e uma lua cheia no céu. Nada. Debruçadas nas grades da piscina, as duas esperavam o tempo passar e falavam mal de quem passava. Não há diversão maior aos desocupados. Ele também não estava lá. Nem sinal.
Quando já se preparavam para ir embora, Manu cutucou Gabi com força e sem conseguir falar uma palavra completa. Eram suspiros, risadas, saltos e palavras abafadas. Gabi olhou para a portaria e sorriu com o canto da boca como fazia quando não conseguia segurar o riso de contentamento. Era ele. O garoto que conheceram nos últimos dias. Conheceram de vista, como é de costume na adolescência. Nem uma palavrinha trocada. Nada. Alguns olhares, na verdade. Comum em qualquer fase da vida.
Até o forró começou nessa hora.
hahahahaha
SENSACIONALLLL!!!
TE AMO MANÉ…
bjo bjo bjo